Museu Alfredo Andersen mostra Lange de Morretes
ReproduçãoO artista sempre se preocupou com os temas paranaenses e os retratou em sua obraMUSEU ALFREDO ANDERSEN
MOSTRA LANGE DE MORRETES
O artista foi um estudioso apaixonado pela geometrização do pinhão e seus estudos estão nas ruas de Curitiba
Elisa Marilia Carneiro
O Museu Alfredo Andersen está homenageando um dos grandes artistas plásticos do Paraná, Lange de Morretes. Para quem não sabe, parte da obra do artista está eternizada nas ruas de Curitiba. São os pinhões estilizados nos desenhos das calçadas. Obras de Lange, apaixonado pela geometrização do pinhão, estarão expostas até dia 29 de abril nas salas alternativas do Museu em Curitiba.
A coletânea reúne quadros de colecionadores que os cederam especialmente para esta mostra. No último dia da mostra, 29 de abril, às 15 horas, o aluno e amigo do pintor, Luiz Pilotto, contará histórias do artista, acompanhadas por café com leite e cuque. O evento será no auditório do Atelier de Arte do museu. Pilotto lembrará passagens da época em que frequentava a casa de Lange, para ouvir as histórias enquanto tomavam o lanche.
Frederico Lange de Morretes percorreu uma trajetória cheia de acontecimentos e buscas. Maravilhado com o triunfo da geometrização do pinhão e suas aplicações nas artes plásticas, o artista, também pesquisador científico, voltou-se depois para os estudos dos caramujos, um dos seus pólos de atuação nas ciências.
Nascido em 5 de maio de 1892 e falecido em 20 de janeiro de 1954, Lange de Morretes tinha paixão pela cor e submissão à natureza. Uma levou-o a consolidar o seu realismo impressionista e a reagir contra o modernismo internacional que invadia a Escola Alemã. A outra, o conduziu às intimidades da pesquisa acerca dos moluscos.
O artista passou a infância em Morretes, no litoral do Paraná, iniciando mais tarde seus estudos com o mestre Alfredo Andersen, que o convenceu a estudar na Europa, para onde viajou em 1910. Em maio de 1920 voltou ao Brasil, para dedicar-se à pintura e à ciência, chegando a ser assistente científico de Zoologia e Paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade de São Paulo.
Em Curitiba, fundou uma escola de desenho e pintura que funcionou durante 12 anos. Aqui foi também professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná onde ensinou Anatomia e Fisiologia.
A primeira exposição individual de Lange de Morretes aconteceu em 1920, com 33 trabalhos realizados na Europa. A segunda, em 1921 teve como tema as Cataratas do Iguaçu. Esses mesmos quadros foram, mais tarde, expostos no Rio de Janeiro, onde o pintor recebeu um ótimo acolhimento por parte da crítica. Na terceira exposição, feita ainda em 1921, expôs 21 quadros com temas da nossa terra, entre os quais Messe Madura, No Seio de Ceres entre outros.
Junto com Turin e Ghelfi, Lange batalhou pelo desenvolvimento de um estilo paranista nas artes. Lange idealizou uma coluna a partir do tronco do pinheiro e quatro pinhas com ramos da araucária. O artista foi também o autor de um estudo para a utilização do pinheiro nas artes aplicadas, definindo um modelo de pinhão estilizado, encontrado em petit-pavê, nas calçadas de Curitiba.
Vários locais da cidade abrigam peças de arte inspiradas na obras de Lange. A diretora do Museu Alfredo Andersen, Amarilis Puppi, cita as maçanetas das portas e a entrada do Memorial de Curitiba; e os tapetes da sala vip do Aeroporto Internacional e da Copel.
Recebeu inúmeras premiações, entre as quais destacam-se a medalha de bronze, no Salão Nacional de Belas Artes, e a medalha de ouro no Salão Paranaense de Belas Artes, outorgada em caráter póstumo no ano de seu falecimento, em 1954. O acervo pictório do artista compõe-se de mais de 500 telas.
Exposição de Lange de Morretes. Museu Alfredo Andersen - Rua Mateus Leme, 336, de 25 de março a 29 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h e aos sábados, das 10h às 14 horas.





