Musa do ska em Curitiba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Muito antes de Amy Winehouse, Lilly Allen ou Gwen Stefani, o cenário musical ''pré-google'' já contava com uma influente mulher britânica, em um do movimentos socioculturais mais importantes da Europa ao final dos anos 70. A ''garota da vez'' era Pauline Black, com seu grupo The Selecter, e os tempos eram de ''Two Tone'', a segunda onda do ska, que reuniu grupos em prol do combate ao racismo e à violência em geral. Pauline é atração internacional de amanhã, no Curitiba Master Hall, em Curitiba.
O ritmo dançante com sons oriundos da Jamaica, em uma mistura de punk, pop e rocksteady era o ponto em comum de grupos como The Specials, The Selecter, Madness, The Beat e Bad Manners, entre outros. Todos participaram da era ''Two Tone'', que levava esse nome devido ao selo responsável pelo lançamento do material dessas bandas.
O tempo passou, a terceira onda do ska veio com The Mighty Mighty Bosstones, No Doubt e Dance Hall Crashers, entre outros, e o ativismo dos grupos diante dos assuntos tão discutidos pela ''Two Tone Era'' acabou ficando para trás. Pauline Black, então, incursionou pela tevê e pelo teatro, com relativo sucesso. Mas nunca deixou para trás a veia musical, que, depois do início dos anos 90, voltou a aparecer em reuniões do The Selecter.
Amanhã Curitiba recebe pela primeira vez a artista, fonte de inspiração e musa de estrelas da música como Amy Winehouse, Lilly Allen e Gwen Stefani. A aparição da vocalista do The Selecter, aliás, é a primeira em solo tupiniquim. ''É a minha primeira vez no Brasil, não sei ainda o que esperar, mas acho que vou encontrar um lugar bem legal com pessoas alegres'', adiantou Pauline, em entrevista para a FOLHA por telefone, de Coventry, na Inglaterra.
Admiradora da música brasileira, Pauline afirmou não conhecer a fundo nossos compositores, porém, elogiou o que é produzido por aqui. ''Não, não me lembro de nada específico agora, de cabeça. Mas reconheço alguns ritmos quando escuto.''
Hoje, aos 55 anos, Pauline toca para um público que muitas vezes sequer se lembra da ''Two Tone Era''. O que mudou? ''Fiquei mais velha (risos)'', brinca. ''Acho que aumentou o interesse das pessoas pela black music, pelo reggae, pela música sul-americana e pela música africana, pela música mundial em geral'', comenta.
''Continuo procurando fazer uma música diferente só que com as mesmas preocupações que eu tinha antes: o racismo, as questões econômicas, o comportamento das pessoas'', complementa. A vocalista do The Selecter gosta da tietagem de Amy Winehouse e Lilly Allen. ''Amy é uma grande artista e Lilly faz música pop de qualidade. Ser mencionada por essas duas pessoas é um grande elogio. A Gwen Stefani também sempre me procurou como referência, principalmente nos primeiros anos do No Doubt.''
O show de amanhã não terá os integrantes originais do grupo. A britânica vai tocar ao lado dos paulistanos do Firebug. O consagrado primeiro disco do The Selecter, com os hits ''Too Much Pressure'' e ''On My Radio'', deve ser executado quase que por completo. ''Vou tocar com uma banda brasileira e acho que vai ser legal. Os brasileiros podem esperar um show dançante, alegre, com muita coisa do primeiro álbum do Selecter, 'Too Much Pressure'.''
Pauline não descartou surpresas, especialmente em uma primeira apresentação por aqui em plena semana das comemorações ao Dia Internacional da Mulher. ''Bem, você vai ter que ver o show, senão não seriam surpresas'', convida.
SERVIÇO
- Show de Pauline Black
Quando - Amanhã, 22h
Onde - bar Era Só O Que Faltava (Av. República Argentina, 1.334), em Curitiba
Quanto - Primeiro lote com 100 ingressos a R$ 80 e R$ 40 (meia), segundo a R$ 100 e R$ 50 (meia) e terceiro a R$ 120 e R$ 60 (meia)
Mais informações - (41) 3342-0826 e pelo site www.faltava.com.br


