Musa de todas as bossas
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
A figura frágil, tímida, de voz contida parece agigantar-se a cada passagem de década aos ouvidos das novas gerações. Musa da Bossa Nova e de outras bossas, Nara Leão (1942-1989) tem sua obra redescoberta com impressionante avidez, não só pela reedição de seus discos como pelos tributos a ela prestados nos palcos.
Depois de Fernanda Takai, que a homenageou em show e no álbum Onde Brilham os Olhos Seus, uma outra Fernanda montou um espetáculo cênico-musical para reconstituir a vida e as canções da artista. O espetáculo, intitulado Nara, estreou no ano passado em São Paulo e será apresentado hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, em Londrina dentro da programação do 31º Festival de Música.
É um musical, mas um musical de câmara, diferente dos espetáculos do gênero inspirados na Broadway que estão em voga no Brasil. É intimista, com aquele jeitinho da Nara, aparentemente simples mas dotado de grande sofisticação. Ela era uma antiestrela, fizemos um antimusical, explica a atriz Fernanda Couto, que interpreta Nara na montagem.
Com direção de dramaturgia de Márcio Araújo e direção musical do compositor, preparador vocal e pianista Pedro Paulo Bogossian, a peça intercala canções e encenação pontuando episódios biográficos marcantes da cantora. Os músicos-atores Guilherme Terra, Rodrigo Sanches e William Guedes acompanham a atriz representando ora a turma da Bossa Nova ora os homens de suas relações amorosas.
Em uma das cenas, na qual fazem um dueto de vozes para o tema Lôbo Bobo, eles reconstituem o início do romance entre Nara e Ronaldo Bôscoli. O repertório reúne 20 e poucas canções, pinçadas dos 28 discos gravados pela cantora, incluindo Insensatez (Jobim & Vinicius), A Banda (Chico Buarque), Diz Que Fui Por Aí (Zé Kéti e H. Rocha), Opinião (Zé Kéti), Se É Tarde Me Perdoa (R. Bôscoli e C. Lyra) e Com Açúcar, Com Afeto (Chico Buarque).
Pontuamos uma trajetória de 47 anos de vida em 65 minutos de espetáculo. Ficou muita coisa de fora, mas fizemos escolhas representativas, assinala Fernanda. A montagem foi contemplada com o Prêmio Contigo de Melhor Musical Nacional em 2010 e obteve quatro outras indicações: Prêmio Shell (Melhor Música), Prêmio APCA (Melhor Atriz e Direção Musical) e Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (Projeto Sonoro).
Segundo a atriz, Nara Leão foi muito mais do a musa da Bossa Nova, estigma que ficou colado à sua imagem. Ela antecipou e participou de todos os movimentos musicais surgidos entre as décadas de 50 e 80, salienta. Tinha a capacidade de surpreender. Quando todos pensavam que seu primeiro disco seria de Bossa Nova, ela gravou compositores do morro como Cartola, Zé Kéti e Nelson Cavaquinho. Também valorizou o iê-iê-iê de Roberto e Erasmo Carlos quando a Jovem Guarda ainda era menosprezada pela MPB. Fez parte da Tropicália e emitiu opiniões políticas fortes durante o período conturbado da ditadura. É impossível não se apaixonar por uma trajetória tão fascinante.
A atriz conta que esse espetáculo está sendo um grande desafio em sua carreira. Minha formação não é de cantora, mas sim de atriz, por isso considero este trabalho ousado e um passo largo em minha carreira. O artista que não ousa, fica estagnado, diz. Nascida em Santa Catarina, Fernanda formou-se pela Escola de Arte Dramática da USP, em 1984.
Em São Paulo desde 1990, já trabalhou com diretores consagrados como Naum Alves de Souza e Gianni Ratto. Na televisão, seu último trabalho foi na minissérie Som e Fúria (Rede Globo), de Fernando Meirelles. No cinema, atuou nos filmes de Marcelo Galvão, Bellini e o Demônio e Quarta B, premiado como melhor longa metragem de ficção brasileira na 29ªMostra Internacional de Cinema de SP (2005).
SERVIÇO
Espetáculo Nara
Quando - hoje às 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina
Ingressos - R$ 15,00
(inteira) e R$ 7,50 (meia)
Ponto de venda - bilheterias do Teatro Ouro Verde, das 11h às 20h diariamente
Informações - (43) 33
22-6381 e www.fml.com.br


