Musa de 'Emmanuelle' morre aos 60
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
André Barcinski <br> Folhapress 
São Paulo - Quarentões - e quarentonas - de todo o mundo estão de luto. Morreu ontem de câncer, na Holanda, a atriz Sylvia Kristel. Kristel tinha 60 anos e ficou famosa pelo papel de Emmanuelle, personagem de diversos filmes eróticos que fizeram grande sucesso em todo o mundo.
O primeiro, chamado simplesmente ''Emmanuelle'', foi lançado em 1974 e ficou em cartaz em um mesmo cinema de Paris por 11 anos. O filme contava a história de uma dona de casa entediada que, numa visita com o marido a Bangcoc (Tailândia), experimentava todo tipo de aventuras sexuais, com homens e mulheres.
''Emmanuelle'' foi um sucesso tão grande que o nome virou sinônimo de filme erótico. O filme original gerou seis sequências (três delas estreladas por Kristel). Imitações foram rodadas no Japão, na Itália e nos EUA. Houve até uma série de filmes chamada ''Black Emmanuelle'', com uma personagem negra, e ''Emmanuelle in Space'', em que a personagem iniciava um grupo de extraterrestres na arte do amor.
Sylvia Kristel nasceu na Holanda e trabalhava como modelo em 1973, quando foi chamada para um teste de um comercial de sabão em pó. No estúdio ao lado acontecia a seleção de elenco para um filme erótico. Ela resolveu tentar a sorte. ''O diretor (Just Jaeckin) perguntou se eu poderia tirar a roupa'', relembrou Kristel à imprensa inglesa, em 1994. ''Por sorte, era um vestido bem fácil de tirar. Eu não tinha inibição, havia feito fotos nua.''
A mesma desinibição ela demonstrou ao visitar o Brasil, em 1977. Numa sessão de fotos em um hotel de luxo em São Paulo, um fotógrafo pediu que ela posasse com uma camisa molhada do Corinthians. Kristel não titubeou: tirou a roupa que usava e vestiu a camisa. Os hóspedes do hotel aplaudiram seu topless. Ela acabou fazendo uma participação especial na novela ''Espelho Mágico'', da TV Globo, e aproveitou para visitar o Congresso Nacional.
Há exatos 35 anos - 19 de outubro de 1977 - Sylvia Kristel chegava a Brasília. Foi recebida pelos então presidentes da Câmara, Marco Maciel, e do Senado, Petrônio Portella. Maciel cometeu uma gafe ao comentar algumas cenas de ''Emmanuelle'' sem explicar onde teria assistido a um filme ainda proibido pela Censura (o longa só seria liberado no país em 1980).
Na ocasião, o deputado João Climaco (Arena-PI) ficou tão emocionado com a visita da atriz que correu para garantir um lugar a seu lado e levou um tombo.


