O famoso ''disco da banana'' continua puxando a fila. Ele sempre aparece nas listas de melhores discos de rock de todos os tempos, divulgadas periodicamente por aí. Agora, o álbum ''Velvet Underground & Nico'' acaba de conquistar mais dois títulos: o de melhor de disco de estréia da história e de disco mais influente de todos os tempos. A primeira eleição foi feita pela revista inglesa Uncut e a segunda pelo jornal britânico The Guardian.
''Velvet Underground & Nico'' foi lançado em 1967. Gravado em dois dias em Nova York, oferece guitarras sujas e canções lisérgicas sobre o mundo marginal. Na época, o Velvet era formado por Lou Reed (vocal e guitarra), John Cale (baixo, viola e vocal), Sterling Morrison (baixo) e Maureen Moe Tucker (bateria). A modelo alemã Nico (que morreu em 1988), musa do artista plástico Andy Warhol, canta em quatro faixas produzindo um contraste perfeito entre a doçura de seus timbres vocais e o universo sombrio descrito nas letras de Lou.
Impossível resistir à atordoante beleza de ''Femme Fatale''. ''Cuidado! O mundo está atrás de você / Há sempre alguém à sua volta'' sussurra a loira em ''Sunday Morning'', que Lou compôs quando Warhol o provocou a escrever uma letra sobre paranóia. ''Botas de couro preto reluzindo no escuro / Experimente o chicote'' cantam a banda em 'Venus in Furs'', faixa inspirada no romance homônimo de Leopold Sacher-Masoch. As drogas são tematizadas sem rodeios em ''Heroin'' e ''Waiting for The Man''.
O som é lúgubre, aparentemete fora de tom e de tempo. Os velvets representavam o ''lado B'' da era hippie. Tocavam em espeluncas novaiorquinas até serem descobertos pelo papa da pop art, Andy Warhol, que decidiu patrocinar o primeiro disco da banda e integrar o grupo ao lendário espetáculo multimídia itinerante Exploding Plastic Inevitable. Warhol foi também o responsável pela participação de Nico e criador da célebre capa que reproduz uma banana sobre um fundo branco.
Um fracasso comercial na época de seu lançamento, o álbum teve várias faixas proibidas pelas rádios. A explicação do The Guardian para escolhê-lo agora como o disco mais influente do rock é de que, sem ele, não haveria o que se convencionou chamar de ''rock alternativo'' ou ''indie rock''. Na mosca.

mockup