MUNDO JOVEM Vampiros e góticos modernos
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Os vampiros, seres mitológicos que assombraram ou fascinaram pessoas de diversas épocas, voltam a ficar em voga graças a obras lançadas recentemente, que dão uma roupagem teen a estas criaturas. Tanto os livros da série ''Crepúsculo'' (cuja primeira adaptação cinematográfica chega aos cinemas brasileiros em dezembro) quanto a série ''True Blood'' (a ser transmitida a partir de janeiro, pelo canal pago HBO) trazem vampiros jovens que convivem com os seres humanos sem atacá-los.
''Crepúsculo'', primeiro título da série de mesmo nome escrita pela norte-americana Stephenie Meyer, é um sucesso no mercado editorial, e está nas listas de mais vendidos de diversas livrarias do Brasil. Patricia Nobre, 15 anos, é uma leitora apaixonada pelo universo do livro, que chegou em suas mãos por recomendação de uma amiga. ''Como ela sabia que eu gostava de ler obras de Anne Rice, que também falam de vampiros, me emprestou o 'Crepúsculo'. Fui ler e adorei'', relata.
Sem saber, suas amigas Thays Kravéc e Íngueri Chávez, ambas com 16 anos, também estavam lendo e recomendando para outras pessoas. ''Quando o pessoal do colégio começou a ver a gente ler, se interessou também. Hoje até minha professora de português está lendo'', comenta Thays. No Brasil foram lançados ''Crepúsculo'' e ''Lua Nova'', os dois primeiros volumes. Em breve sairão ''Eclipse'' e ''Amanhecer'', ainda inéditos por aqui, mas Íngueri já se antecipou. ''Eu já li tudo, inclusive os dois inéditos no Brasil'', orgulha-se.
Com forte clima de mistério, o enredo do livro é centrado no casal de personagens Bella Swan e Edward Cullen, que protagonizam uma história de amor entre humanos e vampiros. O fascínio que os leitores têm pela obra vem justamente deste enlace fantasioso. ''É aquele tipo de romance que faz você ficar com inveja'', opina Thays. ''O livro mostra a vida que a gente gostaria de ter, o sentimento que a gente gostaria de sentir'', define Patricia. ''O Edward se apaixonou por uma mortal e quer fazer de tudo para que ela não se transforme em vampira. Esse é o fruto proibido'', completa Íngueri.
Uma das consequências deste sucesso é um aumento do número de jovens góticos, pelo fato do tema fazer parte do universo desta tribo. No entanto, isto não é uma regra, de acordo com Patricia, que já se considerava gótica antes de ler ''Crepúsculo''. ''O pessoal associa muito com gótico por causa do tema, mas tem gente de várias tribos e estilos lendo, atraídos pela história de amor de corpo e alma que rola no livro'', explica.
Sobre uma nova moda gótica que viria com o livro (já iniciada pelo rock, através de bandas como Evanescense e Nightwish, que misturam gótico com outros estilos), as amigas acham possível, mas têm suas ressalvas. ''Pessoas que nunca pensaram em goticismo vão começar a se vestir de forma gótica, pois tem mais a ver com vampiro'', comenta Patricia. ''Se for só pra copiar o que os outros fazem, não é bom. Conheço gente que se produz toda de gótico até pra ir na panificadora, pra se mostrar'', protesta. ''Deve haver uma onda de vampirismo, mas o goticismo vai vir junto'', acrescenta Íngueri.


