Mesmo sendo um estilo que não figura na grande mídia, o psychobilly está sempre crescendo no Brasil, em especial nas cidades de Curitiba, Londrina e São Paulo. Em linhas gerais, trata-se de uma mescla de elementos do punk e do rockabilly. No entanto, o estilo vai além da música, agregando ao cotidiano dos adeptos referências a cinema trash, quadrinhos de terror, carros antigos, obras de humor negro, jogos de azar e uma maneira peculiar de se vestir e de se pentear (os gigantescos topetes são uma marca registrada).
Rodrigo Quadros (Pexe), 20 anos, começou a ouvir psychobilly aos 15 anos. Além da música, notou que tinha afinidade com outros elementos relacionados, como quadrinhos sinistros e filmes macabros. ''Muita coisa que eu já curtia estavam no psychobilly. É um estilo onde a pessoa se encontra'', conclui.
O ingresso definitivo no psychobilly deu-se após assistir shows de diversos artistas do gênero em um dos festivais que ocorrem em Curitiba. ''Fui ao Psycho Carnival em 2005. Foi uma experiência impactante. Curti muito o baixo acústico que várias bandas usavam. Era o instrumento que eu queria tocar'', relata Pexe, hoje baixista de uma das novas bandas da cidade, o Hot Rods.
Juliana Boiger, 18 anos, esbarrou no psychobilly quase que por acaso, aos 13 anos, através da internet. ''Encontrei uma comunidade no orkut. Fiquei curiosa e fui ver o que era. Gostei muito'', comenta. Assim como ela, várias garotas aderem ao psychobilly, que se mostra equilibrado na frequência de homens e mulheres. Curitiba é um terreno propício para o gênero, segundo Juliana. ''Já li em muitas revistas que Curitiba é a capital do rock. Por causa disso, há vários movimentos roqueiros aqui. Acho que também tem muito a ver com o clima da cidade, que lembra a Inglaterra, onde a cena psychobilly é muito forte'', teoriza.
Lyncoln Reis, 24 anos, acrescenta o fato da capital paranaense já ter uma história consolidada no cenário nacional. ''Quando se fala de psychobilly no Brasil, vem à cabeça Curitiba. A cidade é referência no gênero. As bandas de maior êxito vieram daqui'', explica.
Mais familiarizado com o power psychobilly, vertente rápida e pesada do gênero, Lyncoln aponta as variantes do estilo como um dos motivos que fazem o movimento crescer. ''Não só os psychobillies mas o público de rock em geral acaba se identificando com alguma banda, pois dentro do psychobilly há diversificação de sonoridades.''
O visual é um elemento identificador, mas nem por isso é preciso ser levado de um modo extremo. ''Eu não posso ter um topetão por causa do meu trabalho'', comenta Lyncoln. ''Para as garotas, o visual é mais aceitável no dia-a-dia. Não é tão agressivo e extremo quanto o visual dos homens'', avalia.
Quando perguntado sobre qual o grande barato do psychobilly, ele deixa claro que a resposta muda com o tempo. ''Quando eu era mais novo, eu estava nessa pela curtição. Quando fiquei mais velho, cheio de atribuições e responsabilidades, o psycho serve como uma válvula de escape''. Pelas entrelinhas, dá para imaginar que o psycho continuará fazendo parte de sua vida. ''Psychobillies são fiéis. É difícil alguém largar. É uma verdadeira doença'', ironiza.

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