Allan Heinberg, Joss Whedon, Marcos Jorge, Matthew Jennison, Brent Strickland. O que esses nomes têm em comum? Bem, além da paixão pelas produções audiovisuais, são apostas concretizadas, injeção de juventude e novas ideias para o cinema, quadrinhos, televisão. O sucesso de jovens roteiristas no Brasil e principalmente nos Estados Unidos vem chamando cada vez mais a atenção de quem pretende seguir carreira escrevendo histórias.
O estudante Álvaro André Zeini Cruz, 20 anos, aluno do curso de Cinema e Tevê na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), é um dos exemplos dessa nova geração de roteiristas. Diferente dos muito interessados que primeiro buscam saber como ser diretor de um filme, Álvaro matriculou-se especificamente para escrever histórias. ''Fui fazer Cinema e Tevê para ser roteirista porque sempre assisti muita tevê. Primeiro fui atrás dos roteiros de tevê, mas com o tempo também me interessei pelos de cinema'', explica.
Heinberg fez sucesso com o seriado ''The OC'' e depois escreveu histórias de ''Young Avengers'', para a Marvel Comics; Whedon foi criador da adolescente caçadora de vampiros Buffy e assinou roteiros de ''X-Men''; Marcos Jorge está por trás do bom filme ''Estômago''; e a dupla iniciante Matthew Jennison e Brent Strickland chegou a ser contratada pela Warner Bros. para entregar a trama da adaptação de ''Mulher-Maravilha'' para as telonas. A movimentação em torno de novos nomes, mais jovens, e a importância crescente desses profissionais - é bom lembrar da greve que causou certo tremor recentemente em Hollywood - anima os interessados. Porém, no Brasil, a carreira sofre com falta de estrutura.
''Acho que o pessoal tem se interessado mais por novas ideias mas o cenário lá fora é diferente. Há mais escolas, que faltam no Brasil'', comenta Álvaro. De acordo com o estudante, no Brasil muitos que acabam se profissionalizando como roteirista são absorvidos pelo mercado de publicidade. ''Aqui há uma dificuldade muito grande em encontrar oportunidades, tem muita 'panelinha'. Além disso, o roteiro é muito pessoal e quem faz também quer dirigir'', complementa.
Foi assim, meio ''na raça'', que Álvaro e o também estudante de Cinema e Tevê Alexandre Rafael Garcia, 24 anos, foram selecionados pelo edital de outubro de 2008 do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba pelo roteiro infanto-juvenil ''Memórias do meu tio''. ''O primeiro passo para ter um bom roteiro é pensar nele como um bom filme'', dá a dica Alexandre, que exemplifica o trabalho de Marcos Jorge, em ''Estômago'', um ''filme de roteirista que funciona bem''.


SAIBA MAIS


- O curso mais procurado e indicado por quem se interessa pelo assunto no Estado é o de Cinema e Vídeo, da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), que fica na R. dos Funcionários, 1.357, em Curitiba. O telefone é (41) 3250-7300.

- Roteiros de profissionais em início de carreira no Brasil são pagos em média por valores em torno de R$ 2 mil; já os mais caros, que custam em torno de R$ 50 mil, são os de longas-metragens.

- Os roteiros de longas-metragens têm, em média, entre 80 e 100 páginas; os das novelas nacionais entre 35 e 60 páginas por capítulo, dependendo do horário; e os de seriados entre 50 e 60 páginas por episódio.

- Cada longa-metragem contrata em média dois ou três roteiristas, enquanto as novelas brasileiras trabalham com um autor principal e diversos colaboradores. Seriados costumam usar um roteirista por episódio.

- O site www.roteirosonline.com.br reúne informações sobre livros, sites e cursos relacionados ao assunto, além de oferecer programas para formatação de roteiro, dicas de concursos e dados sobre como registrar o seu trabalho depois de pronto.

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