MUNDO JOVEM Os seguidores de Star Wars
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
''Não há emoção, há paz. Não há ignorância, há conhecimento. Não há paixão, há serenidade. Não há caos, há harmonia. Não há morte, há a Força.'' Esses princípios poderiam se encaixar muito bem em diversas religiões existentes por aí. E na verdade fazem parte de algo bem parecido com isso: para os seguidores do Código Jedi, ou do Jediísmo, a brincadeira vinda da série Star Wars chega a virar assunto sério.
''Existe uma força maior além da nossa compreensão, a Força, que liga todos nós, cada um tem um pedacinho dela'', explica a fã da série de George Lucas, Rebeka Silveira Yurk, 18 anos, seguidora dos princípios Jedi que aproveitou a última reunião do JediCon PR 2008, na Cinemateca de Curitiba, para celebrar e divulgar o código dos guerreiros monásticos da série Star Wars.
O Jediísmo, apesar de ser uma grande brincadeira, toca em assuntos sérios e por muitos chega a ser considerado uma verdadeira religião, com cerca de 500 mil seguidores em todo o mundo. O centro do Código Jedi é baseado na Força, que, mesmo sendo fictícia, esbarra em princípios de energia divulgados em teorias orientais. Além disso, a ordem monástica seguida por Obi-Wan Kenobi, Qui-Gon Jinn, Anakin e Luke Skywalker, entre outros protagonistas do universo de George Lucas, carrega conceitos relacionados ao Taoísmo e ao Islamismo.
''É uma grande piração mesmo, foi feito pra pirar! Acho que quem viaja nisso e é feliz assim, não tem problema'', opina Rebeka. ''Acho que se faz bem para a pessoa e essa pessoa não faz mal pra ninguém, não vejo problema em seguir a filosofia Jedi, até porque ela tem muito da filosofia oriental de várias religiões'', concorda Thaís Mayumi Batista Makuta, estudante de 22 anos.
''É realmente uma grande 'viagem'. Para mim é mais a coisa da diversão mesmo, mas tem a coisa legal dos Jedis ajudarem as pessoas, a filosofia de ajudar os necessitados, de salvar a galáxia e estar sempre disposto com os amigos'', reflete Marcos Travinski, estudante de 15 anos que foi ao encontro caracterizado como Jedi, com direito a sabre de luz e tudo mais.
O que mais chama a atenção inicialmente na série, de acordo com os admiradores da filosofia Jedi, é a história de corrupção e redenção de Anakin Skywalker, que deixa seu pobre vilarejo em um planeta escravo para se tornar um grande guerreiro Jedi e, em seguida, no maior vilão da história do cinema, Darth Vader, o lorde maléfico dos Sith, antagonistas de Star Wars.
''É todo um outro universo e o Darth Vader é um ótimo vilão, ele foi construído justamente para ser isso'', diz o estudante Guilherme Cavalli dos Santos. ''A dualidade do bem e do mal, a transformação do Anakin, a forma como os sentimentos tomam conta de uma pessoa, o fato do Anakin ter se deixado levar por isso tudo é muito legal'', observa Franciele Mendes, 27 anos, que veio de Londrina só para participar do JediCon.
A adoração pelos Jedis, no entanto, parece ser coisa de meninos, apesar da grande ala feminina presente nas convenções. ''Acho que existe um pouco do preconceito com relação à palavra ''Guerra'' no título (da série, ''Guerra nas Estrelas'' ou ''Star Wars''), muitas meninas relacionam isso com coisa de menino'', projeta Thaís. A ausência de mais mulheres como protagonistas da série também afasta um pouco as fãs. ''É um universo mais masculino, são quase que dois personagens femininos só, a Léia e a Amidala, que mesmo assim são meio submissas, com aquela coisa de donzela que precisa ser salva'', afirma Franciele.
Seja na base da brincadeira ou não, o culto ao Jediísmo continua em todos os eventos JediCon, que reúne objetos e fãs vestidos de acordo com os personagens da série. Cerca de 250 pessoas participam ativamente do grupo paranaense, que pode ser encontrado nas listas de discussão br.groups.yahoo.com/grupo/CJPR ou na comunidade do www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2252422. O Conselho Jedi Paraná, criado em 2000, mantém uma página para os aprecidadores de Star Wars e ficção científica no www.cjpr.com.br.


