Placas de sinalização, cartazes, outdoors e panfletos há muito tempo fazem parte da comunicação urbana nos grandes centros, que chegam a ter problemas de poluição visual com tanta informação, muitas vezes disposta de forma desorganizada. Uma expressão cultural nasceu justamente desse caos para usar os espaços da selva de pedra para se fazer ouvir, rir das próprias mazelas modernas e desafiar os parâmetros do diálogo entre os transeuntes e a própria arte. O movimento sticker art vem crescendo a cada dia no mundo todo, inclusive no Paraná, principalmente em Curitiba, onde uma exposição mostra um pouco do que é isso.
A sticker art, que poderia ser traduzida livremente como ''arte do adesivo'', vem da forma de expressão de colar adesivos com imagens ou mensagens em lugares públicos, movimento iniciado nos anos 90. É considerada arte pós-moderna e uma extensão da arte urbana, composta por outras manifestações, a exemplo do grafite; dos ''lambe-lambes'', que usam colagens semelhantes aos outdoors, mas bem menores; e dos ''stencils'', em que os adeptos utilizam ''máscaras'' de ilustrações ou textos que são impressos a partir de sprays sobre os painéis.
''Vejo como uma forma de me comunicar, de dizer as coisas que estou pensando. Ontem mesmo estava andando e vi um sticker que estava escrito: ''pare e pense''. Muitas pessoas passam por ali, lêem aquilo e param um pouco mesmo para pensar'', explica o estudante de Artes Gráficas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), João Afonso Malinowski Correia, de 22 anos. ''Tem gente que gosta pela arte, pela estética, ou simplesmente para expressar alguma coisa'', completa.
''Sticker é feito por quem decide se expressar colando adesivos em lugares públicos'', complementa o também estudante de Artes Gráficas da UTFPR, Jair Guilherme Cordeiro. Ambos, ao lado do também ''sticker'' Alejandro Akira, de 23 anos, promovem a Expo Stickers 2008 em Curitiba. A mostra, à disposição do público até o início de maio no Sesc da Esquina, na Capital, tenta mostrar como a sticker art influencia direta ou indiretamente os cidadãos nos centros urbanos.
''A gente começou a divulgar a exposição pela Internet em outubro do ano passado e o prazo final foi prorrogado para o final de fevereiro. Recebemos no total uns 8 mil stickers, de 170 artistas, dos Estados Unidos, França, Argentina, Chile, Colômbia, Cingapura, Israel, Irã...'', lembra Correia. São Paulo é o grande ''centro sticker'' nacional e Curitiba, assim como outras cidades do Paraná, conta com poucos adeptos, que costumam se reunir por meio da Internet ou em encontros de Artes Gráficas e Design.
Um dos motivos do sticker ainda ter poucos seguidores é o fato da arte urbana estar ligada à poluição visual ou crime ambiental, já que sair por aí colando coisas em objetos e locais públicos não é legal. ''O sticker é uma arte efêmera; para tirar o sticker de um lugar é muito fácil, é só desgrudar'', defende Correia.
''O stencil e qualquer outra coisa que use spray chama mais a atenção, o pessoal chama a polícia. Os lambes também, já que usam uma cola mais forte, difícil de tirar'', conta Correia, que assegura nunca ter tido uma reclamação sobre algum sticker seu colado pela cidade. ''Com quem a gente conversou até hoje, pessoas que gostam de arte, aceitam bem. Já quem não gosta ou não tem muito contato com arte acha que é só poluição visual'', enfatiza Cordeiro.
Para evitar problemas com a polícia e a população, os stickers contam com uma espécie de ''código de ética'' para não prejudicar a cidade que moram. ''Não chegamos a dizer isso uns para os outros, mas existem alguns comportamentos que não gostamos. Como colar stickers em placas de sinalização, em monumentos ou em automóveis. A gente costuma colar em lugares que não estão sendo utilizados'', afirma Cordeiro.
Ambos também destacam a ausência da rivalidade entre os stickers, o que evita a ''concorrência'' entre gangues por espaços públicos. ''Entre os praticantes de sticker não tem tanta rivalidade. Mas o pessoal que usa spray gosta de demarcar o território'', notam.
E como os stickers se comunicam? ''O pessoal troca muito sticker, um manda para o outro pelo correio e cola em algum lugar'', responde Correia. E qual é o melhor lugar para chamar a atenção dos transeuntes? ''Um sticker atrás de uma placa, isolado, acho que chama mais a atenção do que um monte'', diz. Para saber mais da exposição no Sesc da Esquina basta acessar www.expostickers.org.

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