MUNDO JOVEM Juventude MPB
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
No imaginário popular, o termo música jovem está geralmente associado aos ritmos de sucesso radiofônico, principalmente ao rock e ao pop. No entanto, há uma generosa parcela de adolescentes e pós-adolescentes que nutrem uma grande idolatria pela música popular brasileira. Além do público consumidor deste gênero, há também os que se dedicam a ser músicos, sejam como intérpretes ou compositores.
Nesta última categoria se encaixa o duo Felix Bravo, formado quando seus integrantes (cujos sobrenomes dão nome ao trabalho) ainda nem tinham 18 anos. Bernardo Bravo, 23 anos, nasceu no Rio de Janeiro, berço de estilos como samba e bossa nova, mas, por ironia do destino, só ouvia rock até os 17. Uma leitura mudou o rumo de seu gosto musical. ''Um dia li uma biografia sobre o Tom Jobim, era um livro dos meus pais, escrito por um espanhol. O cara pintava o Tom com umas cores que eu nunca tinha visto na minha vida. Daí eu fui pesquisar e me apaixonei de vez'', lembra.
Foi no colégio que ele conheceu seu parceiro de composição, João Felix, 22 anos, que até há algum tempo era adepto do rock nacional. ''Eu também escutava um pouco de música brasileira por influência dos meus pais'', comenta. Foi conquistado de vez pela MPB através de uma música de Vinícius de Moraes. ''Eu me apaixonei por uma música chamada 'Onde Anda Você'. Comecei a escutar, e isso puxou pra João Bosco. Depois veio Ed Motta, que puxou João Donato, que puxou Tom Jobim e toda a bossa nova'', relaciona.
Felix Bravo está em atividade há cinco anos. Não é uma banda, mas um núcleo de composição formado pelos dois músicos, que gravam e tocam com convidados. Possuem um disco gravado e perfil no site MySpace (www.myspace.com/felixbravo). No trabalho de pesquisa musical, ultrapassam a MPB e agregam elementos de valsa, toada regional, bossa nova, jazz, entre outros estilos.
Para definir a música que produzem, buscaram a etmologia da palavra bossa. ''Significa uma parada nova, que não tem como classificar. Foi assim quando surgiu a bossa nova. Então, costumamos dizer que fazemos bossa contemporânea'', define Bernardo. Quanto à associação do termo música jovem ao rock e ao pop, o artista acha injusto. ''É subestimar alguém que está numa idade menos avançada, achar que ninguém tem senso crítico'', queixa-se.
Marcel Cruz, 27 anos, que trabalha como músico há quase uma década, responsabiliza essa associação à cultura de massa. ''É um termo usado para música massificada. Numa certa época foi isso. A bossa nova e a tropicália, no começo, não eram músicas de massa, como muitos acham. Eram paralelos. Semelhante hoje em dia ao caso de artistas como Zeca Baleiro e Lenine, que são conhecidos mas não são um fenômeno de massa'', associa.
A música brasileira é o trabalho de Marcel, que passou sete anos no Forró Calamengau. Hoje toca choro no trio Poucas e Boas, MPB no grupo Batuque da Silva, e também trabalha em uma banda de baile. Antes de tocar, recebeu influências por meio de parentes artistas e do trabalho em uma rádio de MPB, onde ficou dos 16 aos 19 anos. A maneira como conheceu os mais diversos tipos de canções são relatados em seu blog. ''É como se fosse uma autobiografia musical, pois falo como conheci os sons. Comecei com o blog por causa da monografia que estou desenvolvendo no curso de licenciatura em música. Eu precisava voltar a exercitar a escrita, e lá eu digo como as músicas chegaram a mim'', revela.
Em seus trabalhos como músico, Marcel exerce mais o lado intérprete, mas também compõe. ''Sou compositor e instrumentista, mas meu trabalho não está maturado. Quero me dedicar mais à composição. Nessa área eu tenho feito trilha pra musical infantil na faculdade. Compor para criança é legal'', cita.
Para quem toca na noite e vive deste trabalho, apresentar material próprio é algo delicado, a ser feito com moderação, como no caso da cantora Naína de Carvalho, 25 anos. ''No repertório, a gente encaixa música própria com cuidado, no momento certo. Como a gente vive da noite, temos que tocar o que o povo quer escutar'', cita Naína. ''Mas ainda existe o público que aprecia música própria'', completa.
Atualmente em um projeto de bossa nova ao lado do violonista Beto Blues (carioca, ex-aluno do compositor Baden Powell), Naína também faz shows de MPB, em que valoriza as últimas gerações, como Zeca Baleiro, Marisa Monte, Maria Rita, Lenine, entre outros. Começou na música aos 17 anos como vocalista de uma banda pop formada em um grupo de teatro. Depois passou a tocar na noite, até formar dupla com Xanda Lemos (hoje na banda de rock Criaturas). A parceria não durou, mas antes de se separarem, gravaram um single com produção do 'mutante' Sérgio Dias e tiveram uma música inclusa no songbook do cantor Braguinha.
Quanto à falta de lembrança da MPB quando se fala em música jovem, Naína aponta razões sociais para o fato. ''O povo brasileiro come com farinha o que é apresentado para eles. Se fossem apresentados grandes nomes de uma música jovem mais sofisticada, as pessoas iam gostar. É falta de oportunidade'', finaliza.


