MUNDO JOVEM Espírito de equipe a toda prova
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terça-feira, 10 de março de 2009
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Ao andar pelas ruas de Curitiba, vez ou outra são vistos carros com parabrisas traseiros adesivados com nomes como Zeus, Asterix, Wolfpack e Pegasus. Tratam-se de grandes equipes que participam de gincanas - atividades recreativas compostas por uma bateria de provas de caráter esportivo, educativo, cultural e filantrópico.
Caça ao tesouro, busca de objetos, desafios culturais, montagem de peça teatral, imitação de celebridades e arrecadação de doações para instituições filantrópicas (como agasalhos, cobertores e alimentos) são algumas das provas disputadas.
Boa parte dos participantes têm lembranças do Clube Três Marias, que promovia grandes eventos do gênero. É o caso de Natasha Choinski, 23 anos, da equipe Wolfpack. Ela começou a participar com os irmãos mais velhos, quando tinha 13 anos. ''Para mim, o grande barato da gincana é a vontade de ganhar e de desenvolver o trabalho de equipe, não apenas em provas esportivas, mas também culturais e artísticas'', comenta.
Entre as provas mais marcantes, ela cita uma que pedia para alguém se caracterizar como o homenzinho azul do comercial de cotonetes. ''Quando estávamos pintando ele, acabou a tinta guache, então usamos tinta a óleo. Ele ficou brilhando o dia inteiro.''
A Wolfpack realiza eventos internos. ''Fazemos muitas festas de aniversários e até caças ao tesouro, que acontecem pelo menos uma vez ao ano. Isso mantém a união da equipe. E sempre tem gente nova entrando'', revela Natasha.
Diego Fischer, da equipe Zeus, 23 anos, também começou cedo. ''Foi ótimo para mim. Na gincana você aprende muitas coisas e conhece seus limites. Passa por todas as emoções possíveis, seja com a vitória ou com a derrota. Assim você se prepara muito para a vida'', explica.
As provas filantrópicas lhe davam muita satisfação. ''Batíamos de porta em porta. As pessoas viam que era sério e colaboravam. Tinha prova que pedia para arrecadarmos 3 mil peças de roupas, mas acabávamos entregando 5 mil'', comenta. ''Teve o caso de uma biblioteca em Tatuquara, montada só com livros arrecadados em gincana'', cita.
Ele conta com entusiasmo que através deste universo conheceu pessoas que se tornaram seus melhores amigos e que também encontrou sua vocação. ''Fazíamos muitas festas para pagar as despesas da equipe. Eu continuei neste ramo e hoje, aos 23 anos, tenho minha própria empresa de aluguel de equipamentos para eventos e também trabalho como DJ'', orgulha-se.
Marcos Antonio de Deus Filho, 28 anos, é da equipe Asterix. Ele começou ainda criança, aos 5 anos. ''Foi um convite do meu tio. Mas no final das contas, toda a família participava, incluindo minha mãe e meu avô. Tinha gente de todas as idades.'' Ele lembra que certa vez um mendigo viu o grupo na rua e se habilitou a ajudar. ''Como ele era mendigo, parece que as pessoas ficavam dispostas a doar mais alimentos. E ele nem pegou nada para ele.''


