Para boa parte dos jovens prestes a concluir o ensino médio, passar no vestibular é a maior das preocupações. Mas para muitos estudantes, os futuros gastos com mensalidade e material também são de tirar o sono. Quem não desistiu diante desse primeiro obstáculo e conseguiu uma bolsa de estudos diz que as oportunidades estão aí, basta ter vontade de estudar.
Bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni), Edilaine Aparecida de Castro, de 23 anos, e Jacqueline Dias, de 24 anos, se preparam agora para iniciar a pós-graduação, também com bolsa. Alunas do curso de Administração da Universidade Positivo, elas alcançaram no final do ano passado a nota mais alta da turma com o trabalho de conclusão de curso feito em dupla, e conquistaram 50% de desconto no curso de MBA da própria instituição.
''Nosso objetivo era o primeiro lugar para prosseguir com os estudos. A gente lutou muito para conseguir'', afirma Jacqueline, que trabalhou em três empregos simultaneamente para pagar as mensalidades durante os dois primeiros anos da faculdade, antes de conseguir a bolsa do ProUni.
Para Edilaine, que mora em Araucária e pega cinco ônibus para chegar em Curitiba, mais três até a faculdade, a vontade de concluir o ensino superior tem que ser maior que o medo de não conseguir. ''Só um ou dois dos que concluíram o ensino médio comigo têm curso superior. A pessoa acha que não vai conseguir e acaba nem tentando'', avalia.
Bolsista desde o ensino fundamental, Gramairy Cristina Morais de Andrade, de 21 anos, respira mais aliviada desde que recebeu a notícia de que terá bolsa integral do ProUni para concluir o curso de Odontologia, na Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), onde estuda desde 2006.
Nos últimos dois anos Gramairy, que agora está no quarto ano, teve bolsa de 50% do programa de Financiamento Estudantil (Fies) e, com dificuldades, administrou as despesas da faculdade junto com a mãe, Denira, cuja renda mensal é de R$ 600. ''Todo começo de ano quando tinha que fazer a rematrícula eu não sabia se ia continuar'', conta a estudante. ''Tem que ir atrás, se informar, perguntar e o mais importante é insistir'', ensina.
No segundo ano do curso de Pedagogia, Milene Ivolela, 29 anos, diz que não enfrentou grandes dificuldades para conseguir uma bolsa: ''Hoje em dia só não estuda quem não quer'', observa. Milene conta também com 50% de desconto da própria faculdade por ter sido contratada como funcionária pela instituição. ''Abrem-se muitas portas quando você está estudando. Quanto mais coisas eu faço, mais consigo organizar meu tempo. O que não pode é ficar parado''.

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