MUNDO JOVEM Cara a cara com as urnas
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
No próximo dia 5, cerca de 1,3 milhão de jovens paranaenses com idade entre 16 e 24 anos devem comparecer às urnas para eleger prefeitos e vereadores, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Entre os que se interessam por buscar informações a respeito dos candidatos, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na tevê não é a principal fonte. Internet, jornais e conversa com amigos e familiares são os mais procurados. O interesse pelo processo eleitoral, entretanto, parece distante para uma boa parte do eleitorado nessa faixa etária.
Louise Bueno, de 19 anos, é uma das que condena a passividade do eleitor. ''Tenho que ter minha posição política ativa durante todo o mandato. E cabe a cada cidadão se informar para tomar a sua decisão'', defende a eleitora, que não confia na propaganda política. ''Eles treinam para falar, a divisão do tempo é desigual. Tem que buscar outras fontes de informação'', afirma. Mas não é esse o comportamento que a aluna do curso de Relações Públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba, tem observado entre seus colegas.
A PUCPR é uma das entidades integrantes do Comitê Cidadania e Voto Consciente, e nas últimas semanas, candidatos à prefeitura de Curitiba estiveram no Campus da universidade para apresentar suas propostas aos estudantes. Os candidatos se depararam, no entanto, com um público muito menor que o esperado, entre 15 e 20 estudantes por sessão. ''A gente ficou com medo de o auditório para 200 pessoas ser pequeno mas vieram 20 no máximo. Se fosse churrasco estava lotado'', lamenta Louise, que ajudou a organizar e divulgar as visitas. ''A gente evidenciou que o jovem está bem desinteressado, alienado e descrente com a política'', observa a estudante.
Aluno do curso de Educação Física, Diego Gaspar, de 21 anos, lembra que o desinteresse não é só em relação à política. Ele diz ter visto, recentemente, outro auditório quase vazio durante um congresso no dia de uma das palestras mais importantes. ''As pessoas não querem se dar ao trabalho de sair do comodismo, raciocinar, pensar'', critica Diego. Claudiane Salles, de 19 anos, outra aluna do curso de Relações Públicas, concorda. ''O jovem infelizmente está muito pouco preocupado com questões políticas e sociais. Votam porque são obrigados a votar. A maioria está assim'', lamenta.
Para Louise, devia ser diferente. ''O jovem está iniciando agora sua vida política, está cheio de energia. A gente tem obrigação de reclamar. Mas muitos reclamam em casa e aquilo não sai dali'', completa a estudante. Já Diego aponta outra causa para a apatia dominante. ''Se você vai protestar é visto como desocupado, vagabundo, baderneiro. As pessoas, em vez de se unirem, criticam umas às outras. A nossa visão de participação política já começa errada porque é vista como uma coisa ruim.''


