Os adolescentes estão a cada dia mais indiferentes sobre participar de mudanças na sociedade por meio do voto. É o que aponta os números revelados pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, em recente entrevista concedida à Folha. Em 92, por exemplo, os eleitores de 16 anos no Paraná somavam 90 mil e hoje não passam de 25 mil. A reportagem resolveu então perguntar aos jovens os motivos por esse desinteresse.
''A maioria não se preocupa com o voto, acha que isso é coisa só de gente mais velha. Hoje em dia o pessoal só quer saber é de balada, festas'', acredita Matheus Von Biveniczko Tomio. ''Os pais também estão omissos, o que o colégio ensinar está ok'', acrescenta Ana Maria Silveira Sasso. Ambos têm 16 anos, são estudantes do 2º ano do segundo grau do Colégio Positivo Angelo Sampaio, em Curitiba, e pretendem votar nas próximas eleições.
''É importante você votar porque é isso o que vai mudar a situação hoje em dia. É importante saber quem são os políticos e o que eles têm a propor'', diz Tomio. ''É isso o que vai fazer a diferença. Não adianta você ficar reclamando depois se você não faz nada agora'', completa Ana Maria.
Sobre a queda no número de eleitores facultativos, ou seja, os de 16 e 17 anos, a dupla acha que as constantes notícias de corrupção no governo são a principal causa da falta de motivação dos jovens pela política. ''Estamos vendo tanta corrupção por aí e todo mundo acha que isso é muito injusto. E daí todo mundo pensa: 'ah é só um voto a mais mesmo' e não quer perder tempo saindo de casa para votar, às 7 horas da manhã. É também um pouco de preguiça e falta de responsabilidade mesmo'', reflete Tomio.
Para Ana Maria, também falta incentivo das próprias famílias dos adolescentes. ''O dinheiro roubado sai do bolso do pai que paga imposto. E daí ele diz para o filho que não vai poder comprar o tênis novo porque o dinheiro está curto. O pai também fica falando que só vai votar porque tem que votar, porque está sendo obrigado'', afirma.
Ambos concordam que, apesar dos avanços tecnológicos, que permitem mais acesso à informação e integração por meio de comunicadores instantâneos, a atual geração não conversa sobre política e sequer valoriza o voto. ''Ao mesmo tempo que a tecnologia aproxima, também distancia'', admite Ana Maria. ''Antes as pessoas sentavam e conversavam mais sobre isso, agora não. Não adianta a responsabilidade sobre o que está acontecendo cair só no que nossos avós fizeram. A cada geração algo se renova e todo mundo tem que participar mais'', argumenta Tomio.
De acordo com ele, o interesse dos jovens pelo voto seria maior se o exemplo fosse dado em casa e na escola. ''O modelo tem que vir de casa, os filhos têm que conversar com os pais na hora do almoço, do jantar e depois trazer o assunto para a escola para aprender mais'', sugere.

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