MUNDO JOVEM - Uma quarentona de sucesso
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Quem nunca ouviu falar de Cebolinha, Cascão e Mônica? Provavelmente, só quem é muito novo ou estava no espaço nas últimas décadas. A turminha criada pelo quadrinista Maurício de Sousa é a mais popular do Brasil - inclusive com milhares de fãs fora daqui - e mais uma prova disso aconteceu recentemente em Curitiba, quando leitores resolveram se reunir e organizar o primeiro ''Monicontro'' em território nacional.
''A coisa toda começou pelo Orkut, em 2004. Não tinha nada sobre o assunto no Brasil, daí a gente criou a comunidade e começou a entrar um monte de gente. Foi crescendo, até os filhos do Maurício (de Sousa) entraram, os roteiristas também, bastante gente'', lembra André Losso, 26 anos, publicitário, que acompanha as aventuras da Turma da Mônica desde pequeno e tem cerca de 300 edições.
''Com o tempo, começou a acontecer uma discussão profunda sobre a Mônica, a evolução dos personagens e tudo mais. Com isso a gente organizou um ''Orkontro'' que foi bem legal, o próprio Maurício de Sousa convidou a gente a ir no Parque da Mônica com tudo pago e esse encontro virou gibi, em 2006'', conta André, organizador do Monicontro em Curitiba, que deve ser anual.
''Em 2007, o 'Orkontro' aconteceu na Feira do Livro, no Rio, com quiz, sorteio de brindes e gibi. Então a gente teve a idéia de fazer o 'Monicontro' na Gibiteca de Curitiba e abrir o evento pra todo mundo e também envolver o pessoal que gosta de quadrinhos em geral'', explica André.
O 1º Monicontro foi realizado em Curitiba no último dia 24 de maio e contou com palestras, trocas de gibis, ''2º Quizz dos Monicólatras'' (brincadeiras de perguntas e respostas baseado no universo da Turma da Mônica), concurso de fantasias (cosplay), entre outras atividades. ''Conseguimos brindes, os palestrantes vieram por cortesia, patrocínio de hotéis e a prefeitura cedeu o espaço'', afirma o organizador, que contabiliza participação de 200 pessoas. Em 2006, o Orkontro reuniu 120 fãs e em 2007, no Rio, 70.
E qual é o segredo para tanto sucesso? ''Acho que a Turma da Mônica é um trabalho muito honesto e despretensioso, lida com as principais emoções humanas'', opina André. ''Essa coisa da força dela é tão inocente e o público é muito amplo. Tem gente com 40 anos que continua lendo até hoje'', complementa a veterinária Monique Michelon, de 26 anos.
''É uma grande personagem brasileira, é um símbolo nacional sem ser ufanista, sem ser aquela coisa imposta para a população. Ela tem essa coisa de ser criança, de ser brasileira, de ser humano no Brasil'', empolga-se Rafael Loss, 30 anos, ex-VJ e produtor do site MTV Overdrive. ''Leio desde pequeno e sempre ia na banca do jornal e tinha as revistas da Disney e da Mônica. E sempre preferia a da Mônica'', completa.
Para os fãs mirins, a personalidade de cada um traz a identificação imediata com histórias menos complexas e violentas do que o universo dos super-heróis norte-americanos ou os guerreiros japoneses. ''Ah, gosto de tudo, gosto dos personagens, dos desenhos, o Maurício teve uma idéia genial'', conta Caetano Calluf de Almeida, 12 anos. ''Aprendi a ler com a Turma da Mônica, minha mãe começou a ler e passou as revistinhas para mim. Hoje tenho 250'', orgulha-se.
Apesar do sucesso entre todas as faixas etárias, a Turma da Mônica tem sido desprezada por boa parte dos leitores mais jovens, que têm se dedicado mais às aventuras dos quadrinhos japoneses. ''Acho que as pessoas têm lido um pouco menos. Hoje em dia são tantas informações e tem também outros gibis, como os mangás. Quem lê mais mesmo são os fãs mais antigos'', pensa Monique.
E, de fato, boa parte dos atuais leitores da turminha é composta pelo público saudosista. E, mesmo quarentona, a Turma da Mônica encontra um ponto de identificação com o público, seja entre os mais novos ou os mais velhos. ''Ah, eu me identifico mais com a Magali, porque como, como e como e continuo a mesma'', diverte-se Gabriela.


