MUNDO JOVEM - Uma profissão para virar a cabeça
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Seja nos grandes ou nos pequenos salões de beleza, os profissionais da tesoura e do secador estão entrando na profissão cada vez mais cedo. E não são apenas cabeleireiros, mas sim hair stylists. A tradução literal, ''estilista de cabelo'', retrata bem a especificidade do ofício. Em vez de apenas cortar cabelos seguindo um padrão, os hair stylists criam penteados, cortes e colorações personalizados para cada cliente.
''Eu gosto dessa diversidade e da possibilidade de dar um tratamento diferenciado para cada pessoa'', comenta Jonathan Washington, 25 anos, que começou cortando cabelos de amigos, sem compromisso, até ser descoberto por um grande salão, que o convidou para trabalhar. ''Vi que era um trabalho muito mais complexo do que eu achava. Tive que estudar muito. Fiz cursos em São Paulo e em Buenos Aires. E ainda estou estudando, todos os dias'', relata.
Além de estudar sobre cabelo, aprende-se sobre formatos de rostos, colorações de pele e de olhos, entre tantas outras características, para que cada tipo de pessoa receba um corte, penteado ou coloração que combine com sua fisionomia. ''Mas isso não é suficiente. É preciso conhecer cada cliente. Sempre que atendo uma pessoa que não conheço passo cinco minutos conversando com ela. É uma espécie de consulta. Tem que sentir a personalidade da pessoa'', acrescenta Johathan.
Recentemente, ele topou uma nova empreitada, passando a trabalhar em um salão pequeno, baseado em um ateliê europeu, com decoração vintage. ''Sempre gostei de um estilo mais alternativo. Vi que havia um público grande para esta proposta'', aponta. ''Independente do tamanho do salão, você consegue se sobressair e se destacar tendo uma assinatura própria. Mas é preciso ter um bom trabalho, ou não vinga.''
Já Lucas Eduardo Gipiela, 23 anos, ganhou interesse pela profissão graças à família. Há sete anos, trabalha no salão que era de sua tia, até assumir o negócio. ''Administrar um salão é complicado. Tem que ter experiência com comércio. Mas compensa, pois dá autonomia'', explica.
A localização em um bairro considerado fora de mão para muitos não é problema, segundo Lucas. ''Tem gente que atravessa a cidade para vir cortar cabelo aqui. E a clientela está sempre aumentando, na base da indicação. Eu não cobro demais e faço cortes e químicas diferentes para cada um. O importante é ter um diferencial'', avalia.
A recomendação é um forte aliado dos hair stylists. Gabriela Gusso, 18 anos, começou fazendo trancinhas raiz nas colegas do colégio, aos 13 anos. Seu trabalho foi divulgado pelo bairro onde morava na base da propaganda boca a boca, até ser chamada para fazer este tipo de serviço em um grande salão da capital. ''Isso foi forte para o meu currículo. Lá adquiri experiência'', comenta a jovem, que hoje trabalha em outro grande salão da cidade.
Para ela, o mais fascinante da profissão é deixar as pessoas mais bonitas. ''Isso é muito gratificante. Hoje em dia é muito difícil ter uma profissão em que a pessoa esteja sempre satisfeita'', observa.
Entre os jovens as principais razões para a grande procura pela profissão são de origem financeira. ''A remuneração é boa, e só melhora com o tempo, à medida que você cria clientela'', aponta Gabriela. ''Tem movimento o tempo todo. Mesmo com crises financeiras, a mulher se arruma, e corta o cabelo em todas as épocas do ano. É um negócio estável'', conclui.
O universo dos profissionais do cabelo é cheio de glamour. Este foi um dos chamarizes para Ricardo Guerra, 29 anos, que participou de concursos nacionais, com boas colocações. ''Me considero beneficiado por ter aparecido tantas vezes com meu trabalho. Se eu tivesse vencido na primeira vez que participei, eu não teria tanta repercussão. Hoje todo mundo conhece o meu trabalho'', comenta o profissional.
Uma das consequências das boas colocações foi a valorização de seu passe, tornando-o mais requisitado. ''A valorização é como um diploma de graduação'', compara Ricardo, que pretende dar passos maiores. ''Quero participar de um concurso de nível internacional, aprender mais técnicas, ampliar minha clientela e ter um espaço customizado com a minha cara. Quero fazer com que as pessoas usem meu nome como uma grife.''


