MUNDO JOVEM - Uma experiência cultural nas férias
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terça-feira, 08 de julho de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
O sol nem bem raiou direito e Cainã já está de pé, às 6h30, carregando e montando coisas, em Antonina. Um pouco antes, Danilo bocejava enquanto fazia o check-in no aeroporto de Maringá. Mais ou menos nos mesmo horário, Júlia, cansada, espera um ônibus que vai levá-la de Curitiba para 90 quilômetros distante dali, em um acampamento. O trio levantou mais cedo, no primeiro sábado das férias, com o mesmo pensamento: participar do 18º Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre os dias 5 e 12 de julho.
Cainã Alves nasceu em Curitiba há 17 anos e foi morar ainda pequeno em Antonina, no litoral do Estado. Desde criança, acostumou-se com a movimentação cultural que invade o município durante esta época do ano, pois era um bebê quando aconteceu a primeira edição do Festival de Inverno. A influência artística do evento acabou se tornando evidente em seu comportamento nos anos que viriam. ''Mudei aos seis anos de idade para Curitiba mas depois voltei para Antonina aos 9 anos, para tocar na Filarmônica Antoninense'', lembrou o saxofonista, que pretende seguir a carreira de música ao se formar pela UFPR.
Para ele, a presença do Festival de Inverno foi essencial para sua formação. ''Eu me considero um fruto do festival. Fui aprendendo tantas coisas, o festival ajuda a enriquecer o conhecimento. Seria mais difícil entrar em contato com as pessoas se não tivesse o festival, que é um ponto de fuga, não só para o jovem como para todas as pessoas'', contou Cainã.
Ele tem aulas à tarde, mas durante esse período acorda mais cedo, para ajudar a montar a estrutura e quaisquer outros serviços da organização. ''Eu sei que as pessoas têm carência de eventos como esse, assim como eu tive, principalmente em uma cidade pequena. Teve criança que chegou aqui à 1h30 da manhã para participar (as inscrições para oficinas infantis começariam às 9h do dia seguinte). Hoje eu ajudo porque sei como é importante'', afirmou.
Danilo Furlan, 26 anos, é pedagogo e também tem licença de ator bonequeiro. Ele acordou na madrugada do dia 5, às 4h30, para poder pegar o vôo logo cedo de Maringá para Curitiba, para de lá seguir rumo a Antonina. Depois de um certo atraso, desembarcou, satisfeito, no litoral.
''Fiquei surpreso de ver uma cidade pequena ser tão aconchegante. Acho que é bom oferecer ao público jovem um pouco de cultura, mais arte ao invés da violência'', comentou Danilo, que viajou para ministrar a oficina de contação de histórias para professores, batizada de ''Daqui acolá, cada um tem uma história para contá...''.
Enquanto conversava, Danilo percebia a movimentação lúdica com crianças na Praça Coronel Macedo, a chegada de estudantes e outros participantes aos alojamentos, a movimentação do público em torno da primeira apresentação teatral no Theatro Municipal. Essa impressão de que alguma coisa cultural pudesse interagir com as pessoas a qualquer momento deixou o pedagogo contente. ''É muito bacana isso. Cheguei aqui com esse clima de festival. Espero poder retribuir um pouco e aprender também.''
Antonina chega a receber 50 mil pessoas durante a semana do Festival de Inverno da UFPR, de diversas partes do Paraná e do Brasil. Julia Morente de Almeida Prado, de 19 anos, saiu de Cascavel, no Oeste do Estado, e encarou viagem de quase 12 horas para participar este ano.
''É uma boa oportunidade de conhecer coisas que não são bem divulgadas. Uns amigos disseram que é legal, tem um monte de festas, então vim pra cá, porque também quero ver shows, como o do Cordel de Fogo Encantado'', disse. Ela saiu às 16h do último dia 4 com a intenção de pegar um ônibus de graça em Guarapuava. ''Mas não deu certo e tive que ir para Curitiba para ficar esperando ônibus para cá de madrugada.''
Julia e os amigos viajaram com a intenção de ficar todos os dias do festival, com gastos estimados em R$ 300 por pessoa, incluindo a passagem, a comida e o alojamento, já que ficariam em um camping. O esforço para chegar e participar não chegou a cansar a estudante. Dormir, nem pensar. ''Agora espero é dormir tarde.''
Para participar, basta se deixar levar pelo clima cultural, ter vontade e exercitar o espírito jovem. Palavras da atriz, pesquisadora e diretora Nana Keiserman, 59 anos, que veio do Rio de Janeiro para ministrar a oficina ''Os sentidos e sua relação com o movimento''. ''Isso aqui é muito bom para você não parar. Para você observar a vibração ao redor das pessoas, estreitar laços e ter uma convivência fora de seu lugar de origem.''
- O 18º Festival de Inverno da UFPR continua até o domingo, com as oficinas e espetáculos gratuitos durante todo o dia e à noite. Para encontrar informações detalhadas sobre a programação e outros dados basta acessar o site www.proec.ufpr.br/festival2008.


