MUNDO JOVEM - Retrospectiva 2008
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Claudio YugeDenise Ribeiro e Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Final de ano não é feito somente de festa, ceia de Natal e celebração com os amigos e parentes. É também aquele momento de dedicar um tempinho para refletir, pensar um pouco sobre o que aconteceu durante os outros 11 meses e fazer um balanço. A FOLHA convidou, então, pessoas que se destacaram em 2008 para fazer uma retrospectiva do que de melhor aconteceu na cultura paranaense nesta temporada.
TEATRO
Um ano irregular. Assim define a temporada para as artes cênicas o ator Carlos Vilas Boas, 29 anos, que esteve nos palcos com a peça ''Menino Maluquinho'' e já encenou ''Tempo de Amar'', última peça em vida de Lala Schneider. ''Esse ano foi bem complicado, porque, como foi ano de eleições, o edital da Lei de Incentivo (à Cultura) ficou fechado. Com isso, acabou não saindo muita coisa nova'', comenta.
Entre os destaques da temporada, Carlos lista dois espetáculos: ''Gostei bastante da peça 'Laranja Mecânica' mas o que me chamou mais atenção foi o 'The Cachorro Manco Show', um espetáculo fantástico, numa troca cultural entre Brasil e Portugal; e o 'Se apagar eu volto! Se voltar eu apago!', do Mauro Zanatta, que montou o próprio texto a partir de improvisações e fez bastante pesquisa'', nota o ator.
MÚSICA
Na música, o ano foi cheio de surpresas. Inclusive para a vocalista curitibana Copacabana Club, Camila Cornelsen Dantas, 25 anos, que em pouco tempo viu sua banda ganhar destaque nacional. ''A internet eleva bandas desconhecidas ao status de 'super star' em questão de meses'', reconhece.
O Copacabana Club, além de uma agenda movimentada, acumula audiência invejável no site MySpace, com mais de 41 mil exibições de perfil e 15 mil execuções do hit ''Just Do It''. ''Esse ano passou muito rápido para o Copacabana. Em maio lançamos as quatro faixas que estão no nosso Myspace. Logo nas primeiras semanas tivemos críticas em mais de oito blogs. Nossa agenda de janeiro está lotada, temos shows marcados todas as semanas'', diz Camila.
CINEMA
Este ano foi generoso para os profissionais do audiovisual em Curitiba, segundo Fábio Allon, 30 anos, que lançou os curtas ''Colorado Esporte Clube'' (premiado no Festival de curtas de São Paulo) e ''Nós''. ''Comparado com 2007, o cinema de Curitiba cresceu bastante em termos de prática. Os editais se firmaram e houve uma produção maior de filmes, especialmente de curtas'', observa.
Apesar da efervescência na capital, para Allon os louros na área de curta-metragem vieram do Norte Paranaense. ''O destaque deste ano foi para Londrina, com ''Booker Pitman''. É curioso que Curitiba tem mais produção, mas Londrina tem maior destaque'', comenta. Já na área de longas, houve o lançamento comercial de ''Estômago'' e as exibições de ''Mystérios'' e ''Morgue Story''. ''A produção de longa promove o envolvimento de profissionais da cidade em produções de grande porte. Elas servem para alavancar talentos'', destaca.
LITERATURA
2008 será lembrado como um ano excelente para a literatura no Paraná, segundo o escritor Luiz Felipe Leprevost, 29 anos, que neste ano publicou o livro ''Inverno dentro dos tímpanos''. Além dos lançamentos de diversas obras, o ano também contou com publicações especializadas (Coyote, Rascunho e Arte e Letra), eventos (Paiol Literário, Londrix e bate-papos em livrarias), editoras locais (Kafka e Arte e Letra), pontos de encontro para leituras (Café Quintana e Porão Loquax do Wonka Bar) e a consagração de Cristovão Tezza, multipremiado pelo romance ''O Filho Eterno''.
''Para Curitiba é um marco. Coloca a nossa produção na linha de grandes escritores que criam uma radicalidade na leitura. 'O Filho Eterno' traz uma história vital digna de grandes autores'', comenta.
Leprevost cita como livro do ano ''Jornal da guerra contra os Taedos'', de Manoel Carlos Karam, falecido há um ano. Entre os veteranos, lembra com pesar a morte de Valêncio Xavier e cita os dois novos de Dalton Trevisan.
ARTES PLÁSTICAS
Para o artista plástico Felipe Scandelari, de 27 anos, que este ano teve trabalhos seus selecionados para viajar pelo Brasil na quarta edição do Rumos Artes Visuais 2008/2009, do programa Itaú Cultural, Curitiba vive um momento produtivo, com importantes ações de incentivo e uma grande quantidade de talentos sendo revelados.
Para ele, programas municipais como a Bolsa Produção e os editais de Mecenato e Ocupação de Espaços Públicos foram os grandes responsáveis pela movimentação local no campo das artes plásticas. ''Possibilita que artistas emergentes tenham verba para realizar seu trabalho com nível profissional'', avalia.
Outro destaque apontado por Scandelari é a exposição conjunta, no Museu de Arte Contemporânea, de alunos da Faculdade de Artes do Paraná, da Universidade Federal do Paraná, da Escola de Música e Belas Artes e da Universidade Tuiuti. ''Teve uma curadoria organizada e a qualidade dos trabalhos foi surpreendente'', afirma o artista. Scandelari também comemora a realização no Museu Oscar Niemeyer de duas exposições de artistas conhecidos internacionalmente: Kurt Schwitters e Josef Albers.
DANÇA
A bailarina Alessandra Lange, de 33 anos, protagonista da montagem contemporânea de ''Romeu e Julieta'', do Balé Guaíra, espetáculo que teve 14 sessões lotadas em abril, diz que o público da dança em Curitiba ganhou muito em 2008 com a abertura do Teatro Positivo - Grande Auditório. ''Foi uma coisa bem legal que aconteceu porque não centraliza tudo no Guaíra. Tivemos lá a David Parsons que é uma companhia de dança contemporânea bem conceituada no mundo'', explica.
A vinda dos bailarinos Marcelo Gomes e Paloma Herrera do American Ballet Theatre, que dançaram com as alunas da escola Petit Ballet, também foi comemorada por Alessandra. Por outro lado, a bailarina lamenta a falta de público na apresentação do Grupo Corpo.
Para Alessandra, a platéia lotada na estréia da temporada deste ano do balé ''O Quebra-Nozes'', no Guairão, mostra que o público curitibano ainda é conservador. ''A gente dança esse balé há anos e, pelo jeito, vai dançar o resto da vida. Mas o nosso papel também é dançar o que as pessoas gostam de ver''.


