Todo mundo que um dia já viu o Sítio do Picapau Amarelo conserva na cabeça aquela imagem de que uma boa cozinheira é como Tia Nastácia. Só que essa referência mudou um pouco na última década e hoje a profissão nem é mais ocupada em sua maioria pelas mulheres. Ser chef, atualmente, é o sonho de muitos jovens, entre eles homens, que passam mais tempo na cozinha do que há 20 anos.
  ‘‘Hoje quem procura o curso para se tornar chef tem um dos três objetivos: fazer um redirecionamento da carreira, estudar o hobby ou se preparar para a primeira profissão’’, explica o coordenador do curso de ‘‘chef de cuisine – restauranter’’ do Centro Europeu em Curitiba, Sandro Duarte.
  Duarte, que era dentista e tornou-se chef e coordenador do curso, afirma que a procura pela formação de chef tem sido bastante intensa nos últimos anos. ‘‘A primeira turma foi em 2001 e tinha 30 alunos. Hoje a procura aumentou bastante e temos 12 turmas, com 350 alunos’’, diz. ‘‘A mídia tem contribuído muito. O crescimento do número de restaurantes e a educação alimentar também tem ajudado’’, analisa.
  O perfil da maioria dos aspirantes a chef é, de acordo com Duarte, o jovem que busca aperfeiçoamento no exterior. ‘‘Hoje 70% de nossos alunos têm de 18 a 25 anos e vêm para cá aprender para viajar e estudar fora’’, revela.
  Dyogo Prado, de 19 anos, é um dos alunos do curso que se encaixa nesse perfil. ‘‘Quero me formar aqui para depois viajar e fazer um curso fora, na França, Itália ou em Portugal’’, planeja. O aspirante a chef largou o curso de Engenharia Mecânica para se dedicar à cozinha. ‘‘Desde a sétima série eu dizia que queria fazer um curso de culinária e meus amigos riam de mim. Depois de entrar em Engenharia Mecânica, acabei largando e vim fazer curso de hotelaria e sommelier. Agora estou estudando para ser chef há uns três meses’’, afirma.
  Fabiano Brusamolin, de 35 anos, também redirecionou a carreira devido à paixão pela cozinha. Veterinário e administrador de empresas, agora quer abrir o próprio restaurante, depois de sete meses de curso. ‘‘Quero transformar minha paixão pela cozinha em negócio lucrativo. O chef hoje precisa ser sempre atualizado, porque sempre está surgindo tendências e conceitos’’, avalia.
  O desenvolvimento do paladar do público na região, de acordo com o aluno, também favorece a profissionalização daquele cozinheiro tradicional, no estilo da Tia Nastácia, para chef. ‘‘Aqui no Sul (do País) há um desenvolvimento da cultura gastronômica e o público está exigente’’, ressalta Brusamolin.
  O aumento do interesse pela culinária também está muito ligado aos vários programas, filmes e até personagens de novela relacioonados à profissão de chef. ‘‘Os chefs que se apresentam na tevê influenciam muitos jovens e são como celebridades’’, declara Ronise Castro, 36 anos. Dona de restaurante em Londrina, a aluna pretende aperfeiçoar o serviço em seu estabelecimento, especialmente porque a preocupação dos jovens aspirantes a chef em relação à qualidade do prato é a mesma de quem serve comida. ‘‘Acho que ainda estamos no início dessa preocupação com a culinária. Mas a tendência do aumento de interesse sobre esse assunto é geral.’’

Pouco glamour e muito trabalho
  Ao ver gente como Gordon Ramsay, Jamie Oliver, Nigella ou Olivier Anquier na tevê muita gente acha que a profissão tem tanto glamour quanto os programas que os mesmos protagonizam. No entanto, o caminho para se tornar um chef é bastante árduo.
  ‘‘A pessoa só vai ser chef de cozinha com experiência. E o diferencial do salário é a formação’’, explica o coordenador do curso de chef do Centro Europeu, Sandro Duarte. Um chef executivo de um hotel chega a ganhar R$ 6 mil mensais.
  O aluno Dyogo Prado espera ser um chef aos 22 ou 23 anos. Ou seja, quatro ou cinco anos depois de sua matrícula no curso, justamente porque não se ilude com as dificuldades da profissão. ‘‘Na tevê é uma outra realidade. É parecido mas não é igual. E eles mostram apenas a vida de um chef’’, diz.
  A cozinha profissional tem em média seis pessoas com funções diferentes. O ‘‘stuart’’ é quem lava os pratos e é ajudado pelo auxiliar de cozinha, que também dá uma mão para o primeiro e o segundo cozinheiro, além do sub-chef e o chef.
  Para chegar a ser chef, todos precisam passar por todas essas funções. ‘‘Sempre tem que começar por baixo, obedecendo. Enquanto tem gente que está se divertindo, na cozinha o pessoal está trabalhando’’, ressalta Prado.
  Além disso, os aspirantes a chef precisam avaliar o preço do investimento a ser feito. O curso para chef no Centro Europeu, em Curitiba, tem o custo total de quase R$ 8 mil, com um ano de duração. Na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, o curso de Gestão em Gastronomia em Alimentos tem duração mínima de dois anos e mensalidade de R$ 245, mais matrícula de R$ 290. A exigência de escolaridade mínima para ambos é o segundo grau completo.
  Mais informações sobre cursos de chef no Centro Europeu (www.centroeuropeu.com.br ou 41 3021-6669), em Curitiba, ou na Unopar (www2.unopar.br/cursosequencial/sequenciais_gastronomia.htm ou 43 3371-7860/3371-7861), em Londrina. (C.Y.)

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