MUNDO JOVEM - Quando o sonho do BOLSHOI vira realidade
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Ainda jovens eles já têm uma história de determinação e conquistas da qual se orgulhar. Apaixonados pela dança 44 garotos e garotas entraram para a história do balé brasileiro na última quinta-feira como os primeiros bailarinos profissionais formados pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, a primeira e única escola da lendária instituição fora da Rússia.
A colação de grau e o espetáculo de formatura foram realizados no Centreventos Cau Hansen, na cidade-sede da escola, em Joinville (SC).
São jovens como a paranaense Marília Correa Dvojatzki, de 15 anos, que entrou para o grupo em 2002. Marília saiu de Curitiba aos 9 anos acompanhada pela mãe e o irmão mais novo para tornar-se bailarina. O pai, funcionário da Petrobras, que trabalha por turnos, ficou entre a capital paranaense e Joinville. ''Eu estava na escola e meus pais foram me buscar com flores. Eu era tão novinha e era tudo novo. Não achava que era nada sério. Nada que pretendesse ter como profissão'', lembra Marília.
Mas logo no início a menina percebeu que a tarefa não seria fácil. ''No início eram três horas de aulas por dia, todos os dias. Eu nunca tinha tido tantas aulas'', conta a bailarina. Nos estágios mais avançados os alunos têm aulas diárias das 14h às 18h e ensaios das 18h15 às 20 horas, de segunda a quinta-feira.
Como muitos jovens de sua idade, Marília ainda está em dúvida sobre o que pretende fazer no futuro agora que concluiu os estudos e se formou em Dança Contemporânea. Prestes a concluir o primeiro ano do Ensino Médio, ela prefere não definir nada por enquanto. ''Me dou bem com muitas outras coisas, sou uma pessoa muito indecisa, não sei o que eu quero'', justifica.
Enquanto não se decide Marília continua se dedicando ao máximo a tudo o que faz. ''Tem que saber separar as coisas e tentar não perder tempo com coisas que não são tão importantes. Não adianta passar um tempão na internet e dizer que não tem tempo para estudar'', ensina. ''Às vezes tem uma aula que você não gosta muito, mas depois vê o quanto ajudou a chegar onde a gente está. Se você gosta, você tem que se empenhar naquilo. Não adianta desistir que não vai levar a nada'', completa.
Primeiro formando da turma de Dança Clássica a receber seu diploma na noite de quinta-feira, Bernardo Arthur Fernandes Weisheimer, de 22, também teve que superar grandes dificuldades para formar-se pela renomada escola. Bernardo começou a dançar balé somente aos 18 anos em Curitiba e foi aprovado em audição da Escola do Teatro Bolshoi há pouco mais de um ano para frequentar o último estágio do curso.
Depois de um ano de sacrifícios para adaptar-se e para conseguir manter-se em Joinville, Bernardo está de volta a Curitiba com o título de profissional. ''A escola é muito difícil, o método é muito duro. Para mim foi uma vitória. Eles têm muita coisa para ensinar. Amadureci muito tecnicamente, entrei em contato com outra realidade'', explica.
Agora formado Bernardo quer seguir carreira como bailarino profissional. Mas além da técnica adquirida, a experiência do último ano, o ensinou ainda mais. ''Sempre acreditei que a gente pode tudo o que a gente imagina. Tem que ter esforço, trabalho e dedicação. Você vai chorar, vai ter dor, vai achar que não vai conseguir, mas consegue'', revela o bailarino.
Aprovada na primeira seleção feita pela Escola em 1999 e consagrada este ano como uma das solistas da Suíte do Balé Don Quixote, apresentado como espetáculo de formatura da turma de Dança Clássica, a paulista Rafaela Fernandes, de 18 anos, também ensina que é preciso ser persistente. ''Pensei várias vezes em desistir. Até no ano passado, faltando um ano. Mas se eu desistisse ia ser uma garota frustrada para o resto da minha vida. Esse ano além de ser o final de tudo é o começo de tudo'', avalia.
Para quem já pensou em desistir de um sonho por causa dos obstáculos que se apresentam no caminho, Rafaela recomenda insistir um pouco. ''Por mais que pense 'não vou fazer isso a vida inteira', tenta e vai até o fim. Mesmo que desanime, que pense que não é pra você, não desista. Se desistir vai se arrepender para o resto da vida. Vá sempre em frente e busque o apoio de pessoas próximas para te orientar a fazer a melhor escolha'', afirma.


