MUNDO JOVEM - Profissão que alia mapas aos banco de dados
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba -Niarkios Luiz Graça, de 22 anos, veio da região de Cáceres, no extremo noroeste do Mato Grosso, para Curitiba com o objetivo claro de estudar Engenharia Cartográfica na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Niarkios, no entanto, é praticamente uma exceção entre os 44 calouros que todo ano ingressam no curso, tradicionalmente um dos menos procurados no vestibular, que registrou 2,23 candidatos por vaga em 2005 e 4,57 no ano passado, recorde de inscritos nos últimos cinco anos.
A pouca procura pelo curso certamente tem a ver com a falta de informação sobre a profissão, que há muito deixou de significar apenas um confeccionador de mapas. Nos últimos anos, a atividade sofreu uma evolução fantástica graças ao uso de novas tecnologias, como o GPS e imagens por satélite, por exemplo, que tornaram a atividade bem mais abrangente. Com isso, ganhou também em campo de trabalho.
''No meu tempo era curso de agrimensura, hoje ele tem que ser bem mais multidisciplinar, porque seu uso é muito extenso'', diz o coordenador do curso Alzir Felippe Buffara Antunes, lembrando que o Brasil é muito carente de mapeamentos.
Cada vez mais, no entanto, o mapa vem sendo reconhecido como uma ferramenta fundamental para a estruturação de políticas urbanas e ambientais. ''Uma empresa de meio ambiente, por exemplo, precisa ter um sistema de geoprocessamento, uma Copel tem seu mapa de transmissão de energia, as prefeituras têm que ter planejamento urbano e fazer seu cadastro urbano. Todos precisam de mapas'', afirma.
O sistema de geoprocessamento, que alia os mapas a um banco de dados, é uma inovação importante na profissão, que permite o controle e monitoramento dos temas pretendidos por meio de um mapeamento específico. ''A cartografia também ganhou força com a informática'', diz. No Paraná, por exemplo, o Governo do Estado usa o sistema de geoprocessamento para controlar a criminalidade no Estado.
Além dos avanços da profissão, a boa estrutura do curso da UFPR é outra boa notícia. No Brasil, apenas seis universidades oferecem cursos de Engenharia Cartográfica - duas no Rio de Janeiro, uma em São Paulo, uma em Pernambuco, uma no Rio Grande do Sul e no Paraná. Dessas, o curso da UFPR é reconhecido como o melhor. Além da maioria dos professores ter doutorado, o departamento conta com seis laboratórios bem equipados.
Entre os equipamentos à disposição dos estudantes, está uma estação de GPS permanente; uma Estação Total Robotizada, que é um dos três equipamentos de medição de terras e ângulos robotizados existentes no País; e o único Interferômetro em funcionamento na América Latina.


