Motocicletas, Harley Davidson, Hell's Angels, American Chopper... Todas essas palavras remetem ao tradicional estereótipo do motoqueiro, mal-encarado de barba e bigode grisalhos, óculos escuros, lenço com desenhos de caveira, calça de couro e colete preto com alguma ilustração diabólica bem invocada gravada nas costas. Só que essa figura clássica ficou para trás já há algum tempo. Os adoradores de velocidade sobre duas rodas, especificamente veículos customizados, estão cada vez mais novos e menos parecidos com a imagem dos ''motoqueiros briguentos''.
''Iniciei na moto esportiva e depois passei a gostar mais das motos customizadas. Acho que o pessoal que gosta de Harley (Davidson) são pessoas mais maduras e é legal essa troca de experiências. Acho que na verdade os mais velhos são mais jovens do que eu'', conta o empresário Rafael Magosso, que, aos 23 anos, segue a paixão da família por motos customizadas.
''Tomei gosto desde a barriga da minha mãe, já que meu pai sempre gostou e ela sempre andou de moto'', brinca Rafael. ''Piloto desde os 14 anos e gostava mais de velocidade, mas deixei isso um pouco de lado, hoje prefiro ficar com o pessoal da Harley. A Harley forma uma personalidade, um estilo de vida, existe um mito sobre a moto. E é legal que o pessoal segue isso, faz reuniões, camisetas'', conta.
A paixão pelas motocicletas até mesmo ajudou o rapaz a encontrar uma namorada. ''Ah, ele gostar de motos ajudou um pouco eu gostar dele. Porque é diferente, sai um pouco da rotina. Antes eu tinha um pouco de medo de andar de moto, mas quando a gente viaja o grupo cuida da gente, sempre tem alguém por perto na estrada'', afirma Camila Phillipps, de 18 anos.
A mãe de Rafael também temia pela segurança e hoje só anda de moto porque confia no equipamente de proteção. ''A princípio eu tinha um pouco de medo mas com um pouco de cuidado você acha legal e entra na brincadeira'', comenta Maria Aparecida Dias dos Santos, 35 anos. ''A maioria acha que é um bando de doidão, mas o pessoal é tudo maluco do bem.''
O marido, Durval Magosso, de 46 anos, um desses ''malucos do bem'', iniciou a paixão da família por motos quando ainda era bem jovem, aos 13 anos. Depois, trabalhou em concessionária para ficar mais perto das duas rodas. Hoje, passa o bastão adiante. ''Acho que gosto mais pela sensação de liberdade que isso dá'', justifica. ''Fui criado em uma geração em que meus pais eram contra eu gostar de motos e até por isso hoje tenho mais responsabilidade. Sempre estamos com capacete e equipamento de segurança'', destaca, ao dizer que segurança é o principal item a levar em consideração ao subir numa motocicleta. Jaqueta, capacete, calça de couro, bota e luva são essenciais, mesmo sob sol a pino.
Uma moto customizada ''normal'' chega a custar entre R$ 30 mil e R$ 70 mil, enquanto uma de velocidade varia entre R$ 40 mil e R$ 70 mil. ''Agora que o dólar está mais barato ficou mais fácil o pessoal comprar e por isso o número de adeptos está aumentando'', assegura Harley Alberto Engels, de 45 anos, operador de turismo que reuniu cerca de 47 motociclistas em evento num shopping de Curitiba. O mesmo grupo participou do Daytona Bike Week 2008, maior encontro mundial de motos que aconteceu na Flórida, Estados Unidos, no último final de semana.
Pelo fato de custar caro para os bolsos dos mais jovens, os ''harleyros'' e motoqueiros que gostam das customizadas costumam ser mais velhos. Mas isso não impede que os pequenos tomem gosto pela coisa desde cedo. ''Acho as motos legais, muito bonitas. Gosto bastante das cores e do estilo'', opina Luiza Adena, de 12 anos. ''Gosto muito do estilo da Harley e quando crescer vou querer ter uma'', já avisa Carlos Adena, 10 anos. ''O pessoal aqui é engraçado, alguns são meio 'doidão'. Eles se vestem diferente, meio 'locão''', diverte-se o garoto.
Quem também já leva a vida de motoqueira-mirim desde cedo é a jovem Ana Claudia Magosso, de 11 anos. A menina tem uma minimoto customizada, avaliada em US$ 3,5 mil. ''Minha família toda gosta e eu também. Gosto da velocidade e do jeito da moto'', diz. ''Tinha um pouco de medo antes, mas quando subi na moto perdi o medo'', lembra. E a garota já sabe o que quer quando crescer. ''Quero uma Harley.''
O gerente de vendas Antônio Cravinhos Jr., de 56 anos, é o mais conhecido entre a galera que anda de moto em Curitiba. ''Temos vários grupos aqui na cidade, entre 40 e 50. Curitiba é a cidade com mais motoclubes do País. Toda sexta tem pelo menos umas 500 ou 600 motos no (estádio) Pinheirão'', garante.
Antônio resume bem a sensação de pilotar uma moto como uma Harley Davidson e o espírito jovem do pessoal que segue esse estilo de vida. ''O importante é você estar. Você realiza um sonho, um encontro com você mesmo, que permite ser você. Elimina todo o status, existem ali no momento só duas rodas, o espaço e você.''

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