Quando se matriculou no curso de Estilismo em Moda do Senac, em Curitiba, Emory Matuda, de 18 anos, imaginou que aprenderia coisas simples como nomes de tecidos e como fazer roupas. Mas logo se deu conta de que estava diante de uma indústria muito mais abrangente.
''Eu nem sabia que existia já uma tendência de moda para 2010'', conta Emory, que também aprendeu a reconhecer a origem de um tecido. ''Você queima um pedacinho para saber, pelo cheiro e o tipo da chama, se o tecido é de origem vegetal, animal ou de derivados do petróleo'', explica. Com o que aprendeu ao longo do curso, realizado entre agosto e dezembro do ano passado, Emory tornou-se mais crítica com relação à moda. ''Antes tinha uma visão bem básica, achava que era só fazer a roupa. Hoje sei que tecido, desenho, caimento, tendências, cores e acessórios têm que estar ligados como um todo'', observa. A primeira vítima foi o próprio guarda-roupa. ''Depois do curso olhava para ele pensava: 'Nossa! Como é que eu usava isso?' Antes comprava mais, hoje sei o que comprar'', afirma a jovem, que já pensa em ter a própria marca. ''Se você entra no mundo da moda não sai mais. É muito gostoso'', justifica Emory.
No caso de Tamy Gonçalves Ferreira, 20 anos, o contato com esse universo começou ainda mais cedo. E hoje ela já está criando sua primeira coleção como estilista para uma confecção. ''Entrei nesse meio por causa da minha mãe, que é modelista há 30 anos e precisava de ajuda. Acabei descobrindo que eu gostava do ramo'', conta Tamy, que começou fazendo desenhos no ateliê de modelagem da mãe e conseguiu o primeiro emprego formal numa camisaria, aos 16 anos. Com vários cursos de aperfeiçoamento no currículo, Tamy vê boas perspectivas para a carreira na área. ''Em qualquer setor da moda tem uma porta aberta para trabalhar em outro setor. É muito fácil crescer, basta ter criatividade'', avalia a jovem que planeja agora cursar a faculdade de Design de Moda.
Gerente de uma das lojas da Colcci há quatro anos, Amanda Cristine Prussak, de 24 anos, confirmou sua vontade de trabalhar com moda quando começou a cursar a faculdade de Design de Moda, da Universidade Tuiuti do Paraná. ''Na primeira aula de representação de produto eu simplesmente comecei a desenhar bem rápido, enquanto as outras meninas não conseguiam sair de um traço'', lembra a estudante. ''Para fazer moda não adianta só gostar de ver desfile e passear no shopping. Tem que conseguir passar o que está aprendendo'', observa Amanda, que também estudou por um ano e um mês no Fashion Institute of Technology, em Nova York, onde constatou o quanto pode ampliar sua atuação. ''O mercado é muito abrangente. A moda brasileira é conhecida no mundo inteiro por ser uma moda muito livre. É um mercado que ainda vai se expandir muito e eu quero estar nessa'', afirma Amanda.
Vencedor, no ano passado, do prêmio João Turin de Incentivo aos Novos Designers de Moda, Rodrigo Orizi, de 30 anos, chegou a cursar a faculdade de Direito anos antes, mas desistiu. ''Não tinha nada de criativo ali'', lembra. Agora no terceiro ano da curso de Design de Moda, o estudante diz que encontrou a profissão ideal para ele. ''O curso me apresentou o que é a moda, o comportamento, como o que você veste representa o que você é. O ser humano é visual e a moda é a expressão do ser'', explica Rodrigo.

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