MUNDO JOVEM - No caminho das letras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de agosto de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
É uma característica das novas gerações o uso das linguagens contemporâneas para expressar seus dilemas. Desse modo, é de se esperar que a juventude de hoje tenha muito mais afinidade com o discurso audiovisual, eletrônico e internético do que com o bom e velho livro, cuja origem se perde na história da antiguidade. Felizmente, não é bem isso que acontece. Se existe um entusiasmo com as novas formas de comunicação, isso não exclui a paixão pela palavra escrita. Prova disso é a procura de muitos jovens pelos vários concursos literários que existem País afora e que têm por objetivo descobrir novos talentos no campo da poesia, do conto, da crônica e do romance.
Um desses apaixonados pela literatura é o estudante curitibano Rodrigo Domit, de 22 anos. Seus textos já foram publicados em dois compêndios de concursos, um de contos e outro de poesias, ambos editados pela Câmara Brasileira dos Jovens Escritores, entidade criada em 1986, no Rio de Janeiro, e que já publicou mais de mil autores iniciantes.
Além do material impresso, Domit mantém um blog onde divulga poesias, contos e microcontos. Onde quer que vá, leva com ele um caderno e um lápis para registrar seus lampejos criativos no momento em que eles acontecem. ''Se deixo pra depois eu esqueço'', conta o rapaz, que diz não ter qualquer preocupação em relação à construção literária. ''Sou espontâneo, não reviso meus textos, o conhecimento que tenho sobre estrutura textual vem das conversas com os amigos''.
O gosto pela criação de histórias vem da infância. ''Geralmente tirava notas ruins em redação porque fugia do tema'', recorda. Entre seus autores favoritos estão os latino-americanos: Eduardo Galeano, Gabriel Garcia Márquez, Julio Cortázar, entre outros.
Diferente de Rodrigo, o londrinense Gabriel Silva Nunes Busch Pereira, 24 anos, descobriu seu gosto pela palavra escrita quando já cursava Direito. ''Eu sabia que ia ter que ler bastante, então desenvolvi o hábito, que acabou virando um prazer'', conta. Ele também já teve um conto publicado em concurso literário promovido pela Secretaria do Estado da Cultura do Paraná. O rapaz acredita que esse tipo de concurso é o caminho trilhado pela maioria dos jovens escritores que pretende ser publicado. Outra opção, ao su ver, seria reunir outros iniciantes das letras para publicar um livro com verba própria.
Apesar de já ter dado o primeiro passo da jornada - nada fácil - do escritor, Gabriel reconhece as dificuldades de ganhar dinheiro fazendo literatura. ''Hoje é um hobby, quem sabe amanhã seja uma profissão paralela'', considera.


