Vida de estudante não é fácil. Além da tradicional falta de grana para tudo, quem quer evoluir também precisa se virar para ser bom no que pretende fazer. A de músico, então, é ainda mais difícil, já que o profissional está em constante exercício e aprendizado e o mercado de trabalho oferece poucas vagas em cidades distantes das capitais. Os alunos da 26 Oficina de Música de Curitiba (OMC) contaram um pouco sobre a vida nesse universo sonoro.
''A gente sobrevive, alguns vivem bem, mas depende muito do lugar e da capacidade de cada músico. A maioria dos músicos têm mais de um emprego, normalmente um fixo, e outros paralelos. Nas cidades maiores, o pessoal paga melhor e têm mais oportunidades'', contam os paulistas Vítor Alexander Lemos, de 28 anos, e Reginaldo Espírito Santo Timóteo, de 29 anos, alunos das aulas de trombone da OMC.
A participação em eventos como a OMC ajuda os alunos a criarem um acervo de contatos e a desenvolverem suas capacidades. ''Esses festivais são muito difundidos no meio e os músicos escolhem os cursos que querem fazer, de acordo com a linha de pensamento de cada professor'', diz Vítor. A oficina oferece aos estudantes os cursos gratuitos. No entanto, os custos com viagem, alimentação e hospedagem ficam por conta de cada um. ''A organização têm uma lista de lugares para hospedar os alunos, mas tudo fica por conta do aluno, como a passagem de ônibus. A gente tem gasto por dia com alimentação e hospedagem de R$ 25 a R$ 30'', complementa Reginaldo.
O cansaço com a viagem e os gastos, contudo, valem a pena, de acordo com os músicos. ''A gente participa de oficinas e festivais desde 99. É bom participar porque a música exige uma disciplina grande, tanto física quanto psicológica. Você precisa ter isso para tocar um instrumento como o nosso, que é à base de sopro'', destacam os trombonistas. ''Todo dia, você precisa fazer uma série de rotinas para colocar as coisas no lugar, todo dia você tem de voltar à estaca zero para depois voltar onde está. O desenvolvimento é lento.''
O esforço, segundo a dupla, vale a pena e ajuda a melhorar a faixa salarial do músico, que varia de acordo com a época do ano e do tipo de público de cada cidade. ''O pessoal pode ganhar de R$ 1 mil a R$ 10 mil, depende muito da época do ano, porque a música divide espaço com outras coisas. Época de férias costuma ser melhor. Um estudante de nível médio pode ganhar de R$ 2 mil a R$ 3 mil nas capitais. No Rio tem mais trabalho para quem toca música popular brasileira e, em São Paulo, o público gosta mais de concertos e eventos'', explicam Vítor e Reginaldo.
Um dos fatores que ainda impedem um crescimento maior no setor é a falta de cultura para a música no Brasil. ''A gente percebe que o Brasil tem potencial e condições, mas a cultura do povo é que não proporciona uma coisa melhor. A prática de música na época colonial, por exemplo, era até maior, quando os pais colocavam os filhos para aprender piano'', recorda Vítor. ''Até tem melhorado um pouco mais nos últimos anos, os governos estaduais têm investido em concertos gratuitos e didáticos, o que faz com que as pessoas tenham mais acesso à música'', completa.
Iniciativas que levam a música até a comunidade fomentam o aumento do interesse dos mais jovens, como a paulista Inaê Teixeira, de 17 anos. ''Comecei numa banda marcial na oitava série, foi mais por curiosidade. Conheci um professor trombonista profissional e passei a ter aulas particulares com ele'', lembra a aluna do curso de trombone na OMC. ''Esses festivais e oficinas valem a pena porque são sempre nas férias e, além de aprender uma coisa pra nossa vida, também ajudam a fazer contatos, amigos. Costumo reencontrar as pessoas de outros festivais'', emenda.
A 26 Oficina de Música de Curitiba vai até o dia 29 e, além dos cursos, conta com diversas apresentações e eventos paralelos. Para saber mais sobre a programação completa basta consultar o site www.oficinademusica.org.br.

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