MUNDO JOVEM - Mágica em forma de cartas
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quarta-feira, 07 de novembro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Elas chegaram devagarinho, quase como adorno para quem era fã de jogos de interpretação - os famosos role playing games (RPGs) - ou apenas de belas ilustrações. Mas logo viraram febre e hoje, mais de 15 anos depois da chegada ao Brasil, continuam sendo líderes entre os baralhos colecionáveis. São as cartas de Magic: the Gathering, da empresa norte-americana Wizards of the West Coast, que acumula a cada dia mais adeptos e também tem versão on-line, com competições, premiações, rankings e tudo mais.
Para quem ainda nunca ouviu falar, Magic é um jogo de cartas colecionável. A bela arte do baralho tornou-o objeto de culto e cada peça, por si só, já é motivo de orgulho de seus detentores e podem ser leiloadas a altos preços no mercado nacional e internacional. ''Comecei a jogar em 93, quando jogava RPG e o pessoal disse que tinha um produto novo, que era o Magic. Inicialmente era apenas uma carta colecionável, que chavama a atenção pelo visual'', lembra o estudante André Luiz Brito, de 30 anos, que é juiz certificado pela Duelists Convocation International (DCI) ou ''Convocação Internacional de Duelistas'', órgão internacional da Wizards of the West Coast para mediar as competições de Magic mundo afora.
Até hoje, as coleções de Magic valem uma considerável quantia. ''Alguns amigos que têm só por colecionar hoje compram os decks e nem abrem'', afirma Brito. As cartas raras mais novas chegam a valer de R$ 80 a R$ 100 e algumas mais antigas, como a ''Black Lotus'', são vendidas a algo em torno de US$ 1 mil.
Além de ser um item de colecionador, os fãs logo descobriram que o baralho era também um jogo de estratégia tão complexo quanto o xadrez. ''O Magic é um jogo de estratégia que, como o xadrez, exige muita atenção. O jogador precisa entender a interação das cartas entre si, as combinações entre elas. Além disso, os recursos de jogo são diferentes para os jogadores'', explica Brito. ''Assim como o xadrez, o Magic estimula o raciocínio e a concentração. Não é a melhor carta que ganha o jogo e sim a estratégia'', complementa.
De acordo com Brito, existem dois tipos de jogadores de Magic. ''Existem os jogadores casuais, que compram o deck para jogar com colegas e família, mais para se divertir; e os profissionais, que compram decks mais elaborados, jogam pela competitividade e pela premiação'', detalha. As premiações em campeonatos chegam de R$ 30 mil e R$ 50 mil, seja em dinheiro ou em produtos.
Os brasileiros, aliás, são ótimos competidores. Em 2002, Carlos Eduardo Romão foi campeão mundial e neste ano Paulo Vitor e Willy Edel participaram do ''Invitational'', importante torneio que dá ao jogador a chance de criar uma carta própria, com sua ilustração e atributos específicos de jogo. ''Esse é o momento máximo de um jogador'', destaca Brito.
Como não poderia deixar de ser, Magic também, chegou à internet e reúne tantos adeptos quanto nas competições do ''mundo real''. ''Mas não tem o mesmo prazer de jogar com as cartas na mão, é tudo muito mecânico e não tem como blefar'', critica Brito.
O público feminino ainda é pequeno, no entanto, a namorada de Brito, Yana Tavares, de 24 anos, é também jogadora. ''As mulheres jogam mais pelo casual, os homens são mais competitivos. Acho que elas se divertem mais'', reflete.
Jogos de cartas colecionáveis não são novidades no Brasil, mas Magic, de acordo com Brito, tem um charme especial. ''Não é como Super Trunfo ou Spellfire, que vieram antes. O Magic exige mais habilidade'', opina. E alerta: ''Cheguei a perder um ano de estudo porque jogava demais. Eu faltava nas aulas para jogar mas percebi que não poderia jogar se continuasse faltando. Mas tudo na vida é questão de bom senso: assim como computadores podem influenciar as pessoas a ficarem muito tempo na internet, os jogos também. Os pais também têm que ajudar impondo limite.''


