MUNDO JOVEM - Loucos por novidades e cheios de atitude
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 2008
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Fashionista é o termo do momento. Nem é assim tão novo, as pessoas já o citavam desde meados de 90, só que agora é que vem ganhando mais força. Virou referência para o povo moderninho sintonizado nas novidades do mundo da moda e da cultura pop, ganhou reality show (Os Fashionistas, do canal pago People & Arts) e vem agrupando a cada dia mais profissionais de áreas que antes não estavam assim tão conectadas com o que acontece nas passarelas mundo afora.
Fashionistas são pessoas que gostam de novidades, de coisas diferentes, de ser diferente, de inventar sua própria moda, resume Kimiko Myamura Di Nápoli, 24 anos, que estudou moda na Universidade Tuiuti, na Capital, e hoje é sócia na marca Gum (www.flickr.com/gumgogum e www.gumgogum.blogspot.com).
Há pouco mais de 20 anos, o mundo fashion era relacionado mais a estilistas, modelos e fotógrafos. Hoje, é fácil encontrar designers, publicitários, jornalistas, arquitetos, DJs, figurinistas, entre outros profissionais, transitando e explorando o universo da moda com mais intensidade. Culpa da velocidade da informação globalizada e da facilidade de comunição promovida pela Internet. De acordo com Kimiko, o interesse das pessoas, sejam os fashionistas ou consumidores tradicionais, é realmente maior. Acho que o pessoal está gostando mais de moda. Hoje em dia as pessoas se valorizam mais e também valorizam o conforto; pesquisam se o tipo de malha é bom, se é uma roupa que rasga fácil..., comenta.
A moda é comunicação e você se comunica conforme você se posiciona e se veste, se gosta de música ou gosta de cinema, diz Lil, 28 anos, que atua há oito anos no setor.
Lil não se graduou em Moda, fez cursos separados, como modelagem, corte, costura e serigrafia. E, para trabalhar neste mercado, teve que observar os hábitos dos consumidores e analisar o conceito fashion na hora das vendas. No começo você faz coisas conceituais. Só que é difícil viver no mercado alternativo. O mercado está bem competitivo; antes era mais fácil, tudo o que você fazia era diferente. Hoje você tem que ser diferente, mas comercial, explica.
Pesquisa é fundamental para entender o que é ou será tendência, o que as pessoas vão gostar de ver e comprar. Fontes de inspiração estão na Internet, em revistas internacionais, na campanha de outras marcas e até mesmo no comportamento de músicos, cineastas e celebridades do universo pop. Desde 1920 a música virou uma influência na moda, seja os Beatles ou com a moda punk dos Sex Pistols, exemplifica Flávia Itiberê, 23 anos, estudante de moda na Universidade Tuiuti e sócia de Kimiko.
Entre os fashionistas, até a balada vira passarela para saber o que está rolando. É um mercado que dói porque você tem que impressionar ali quem está pau a pau com você. O bar é o meio underground onde o pessoal se encontra, onde as pessoas vão montadas para falar sobre várias coisas, acrescenta Flávia.
Assim como o número de profissionais da moda, aumentou o grupo de interessados, curiosos, ávidos por novidades. Prova disso é o sucesso do Mega Bazar Lúdica (www.galerialudica.com.br), que nasceu há quatro anos em Curitiba e nos três dias da última edição, realizada no começo deste mês, reuniu 70 expositores em 55 estantes, com público total de 7 mil pessoas.
O público que não era acostumado (com fashionismo), e vê um universo diferente. Sai daquela mesmice de shopping e tem muito daquelas pessoas que não têm coragem de usar mas gostam de ver nos outros, reflete a arquiteta e produtora do Bazar, Débora de Mello e Silva, 32 anos.
Todos os rótulos têm suas vantagens e desvantagens, assim como o fashionista. Se por um lado agrega assuntos e profissionais, por outro também gera discussão sobre quem é ou não fashionista. Acho que o termo fashionista está meio banalizado, não remete exatamente aos profissionais. Incomoda um pouco, porque a gente estuda, pesquisa e muita gente se diz fashionista e não entende o que é moda. Dizer que é fashionista me incomoda no caso de rotular, gosto mais da estética da coisa, opina Felipe Pedroso, 23 anos, publicitário e também organizador do Mega Bazar Lúdica. Quem é mais velho não se prende tanto à imagem, os mais jovens costumam consumir mais o que não entendem, nota Lil.
Discussões à parte, o importante, seja para quem gosta ou não de moda, segundo os fashionistas, é se vestir com conforto, sentir-se bem e ter atitude. Moda é muito mais atitude do que aparência. A moda passa, o que permanece é o estilo, como dizia Chanel. Hoje em dia vale tudo, não existe o que está na moda e o que está fora da moda, o que vale é o espírito de cada dia, afirma Felipe.


