MUNDO JOVEM - Juventude e política
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terça-feira, 31 de julho de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A política é como um vírus, uma vez inoculada no indivíduo ela tende a proliferar-se contaminando todos os aspectos da sua vida. Na maioria das vezes o contágio se dá ainda na juventude, época de idealismo e muita energia. Foi o que aconteceu com Jhonattan Gonçalves, de 17 anos, presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual do Paraná (GECEP), em Curitiba. Ele lembra da primeira vez que foi representante de sala, ainda na segunda série do ensino fundamental. Ao que parece, foi nesse momento que se deu a contaminação, pois nunca mais parou de pensar e de fazer política, mesmo que no microcosmo estudantil. Na quinta série Jhonattan representava a quinta e a sexta séries, na sétima representava a quinta, sexta, sétima e oitava séries. ''Gosto de estar trabalhando pelas pessoas'', explica. Tanto entusiasmo converteu-se na presidência do maior grêmio estudantil do Paraná, incumbido de defender os direitos de 5 mil alunos.
O meio-irmão de Jhonattan, André Felipe Pereira, de 16 anos, também tem gosto pela coisa. Ele é diretor executivo do GECEP, prova de que talvez a atração pela política seja genética. ''Meu pai já foi candidato a deputado estadual em 2002'', conta. Os irmãos não têm receio em projetar um futuro semelhante, como vereador, prefeito, deputado e - por que não? - presidente.
Mas a vida na política estudantil não é formada apenas de sonhos, exige grande disposição, energia e comprometimento. André conta que desde que passou a trabalhar no Grêmio perdeu as manhãs de sábado. ''Era o único dia que eu tinha pra descansar''. Seu irmão Jhonattan perde mais do que isso, ''Passo praticamente o dia inteiro no colégio'', afirma. Além da política tomar o horário de algumas aulas, recentemente ele precisou viajar para Faxinal do Céu, Jacarezinho e Brasília, onde participou de uma reunião da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
Outro jovem que estava nessa reunião era Thiago Moraes de Camargo, 20 anos, há dois coordenador da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES). Ele também foi contaminado cedo pela política. Aos 15 anos fundou o Grêmio do colégio estadual Gilberto Alvez do Nascimento, aos 16 anos filiou-se ao PT. ''Aí começamos a fazer política grande e expandir a articulação para a Região Metropolitana de Curitiba'', conta. Em 2004 tornou-se presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Piraquara.
Thiago conta que o engajamento político lhe trouxe alguns problemas. ''Fiquei dois anos sem arranjar vaga, o núcleo de educação do governo do estado avisou os colégios que eu ia querer fundar grêmio'', afirma. Hoje ele está voltando às salas de aula, no 1º ano do ensino médio, mas o tempo para estudar ficará em segundo plano. ''Penso em política 24 horas por dia'', diz. ''Nunca tive namorada por mais de um mês, não dá tempo''.
Diferente das batalhas que travava nas disputas pela presidência dos grêmios estudantis, Thiago hoje vive uma realidade mais próxima à da ''política adulta'', praticada em Brasília. ''A eleição da UPES é a mesma coisa do que na câmara de deputados, cada partido articula e mede sua força de acordo com o tamanho da bancada'', compara.
Por onde vai, Thiago leva um exemplar da Constituição Federal. ''É a arma do estudante'', diz ele, posando com uma camiseta do guerrilheiro Che Guevara, o mesmo que assina a frase no seu cartão de visitas: ''Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades''.


