A internet foi oficializada no Brasil em 1995. De lá pra cá, tornou-se ferramenta indispensável, especialmente dos jovens. A FOLHA foi buscar no cotidiano de três diferentes gerações o impacto e a influência da web para saber como a tecnologia, que a cada dia evolui mais rapidamente, afeta o dia-a-dia das pessoas.
A estudante Juliana dos Santos Pires, de 11 anos, sequer era nascida na época da implantação da internet no Brasil. No entanto, hoje, não sabe como seria viver sem se relacionar com os amigos via computadores. ''Consigo até imaginar como era antes mas não consigo me imaginar mandando um telegrama'', exemplifica.
''Mexo na internet faz uns dois anos. Comecei a mexer porque todo mundo tinha Orkut (rede de relacionamentos) e todo mundo conversa pelo MSN (programa de mensagens instantâneas)'', lembra Juliana. Comunicação e pesquisa são o que atraem a estudante para a frente do computador. ''Antigamente as pessoas tinham que ir na biblioteca para pesquisar e hoje você digita no Google e as informações estão ali.''
Apesar da grande comodidade que a web traz, Juliana, conectada diariamente por cerca de quatro horas, sabe dos riscos que envolvem o mundo virtual. ''O mundo está está mais violento e a gente tem que maneirar, não adicionar quem não conhece no Orkut e no MSN, não deixar endereço e telefone para os outros verem... Quem está vendo você pode ser um bandido'', alerta.
Entretenimento. Para o estudante de Direito Paulo Morilha Gomes, 23 anos, comunicação e pesquisa são importantes, mas o uso da internet fica restrito a duas horas diárias de seu tempo livre. ''Não me comunico muito pela internet. MSN e Orkut servem só para deixar recado. Só faço pela internet o que não posso fazer ao vivo.''
Gomes era pequeno quando a internet começou a fazer parte de sua vida. ''Tenho acesso desde os nove anos, usava bastante o bate-papo do MirC, na época da internet discada'', recorda. De lá pra cá, ele passou a controlar o tempo que fica na web, especialmente para jogar on-line. ''Já teve uma época em que ficava o tempo todo jogando, hoje não deixo de fazer outras coisas.''
A principal vantagem trazida pela rede, para Gomes, foi a capacidade das pessoas se organizarem em pouco tempo, mesmo a distância. ''Acho legal a capacidade de organização das pessoas via internet, porque todos têm que pensar nessa organização, existem regras de conduta, regras sociais'', diz.
O diretor de arte de uma empresa de publicidade de Curitiba, Jorge Uesu, concorda parcialmente com o que Gomes diz. Familiarizado com computadores e a rede desde os primeiros passos da internet no Brasil, Uesu não sente dificuldades em acessar a web, mas vê em pessoas de sua idade ou mais velhas uma certa resistência em fazer parte da comunidade virtual.
''Acho que muita gente tem dificuldade, minha esposa que é dentista, por exemplo, tem. Eu compro coisas pela internet mas muita gente da minha idade não acessa banco, o uso é meio limitado mesmo, só para checar e-mail. A maioria das pessoas da minha idade tem medo de acessar banco on-line'', nota Uesu.
Se para as faixas etárias de Juliana e Gomes a internet é importante para comunicação e entretenimento, respectivamente, para a de Uesu serve como principal ferramenta de trabalho. ''Fico o tempo todo conectado com os fornecedores, trabalho muito com fotógrafos e diretores que estão em outros lugares e podem mandar fotos e filmes via internet'', conta o publicitário, que durante toda sua jornada de trabalho, das 9h às 19h, fica conectado ininterruptamente à web.

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