Tanto os grandiosos espetáculos de ilusionismo quanto as mágicas mais simples, executadas na rua com um baralho comum, impressionam pessoas de todas as gerações. Geralmente é entre os mais novos que surge a vontade de se dedicar à prática desses truques e iniciar uma carreira como mágico.
  Foi assim com Diego Schmidt de Souza, 17 anos, que há aproximadamente um ano e meio ficou supreso ao ver um baralho inteiro ficar com todas as cartas iguais, quando passava próximo a uma loja de mágicas em uma rodoviária. ‘‘Aquele era o baralho rádio, muito conhecido dos mágicos. Fiquei curioso para saber como aquilo acontecia, então comecei a pesquisar sobre mágicas, principalmente na internet. Comprei materiais e comecei a praticar’’, comenta.
  O interesse o levou a trabalhar em uma loja do ramo, onde encontrou Guilherme Hames, 18 anos, que desde pequeno gostava de cartas de baralho por causa do hábito de sua família se reunir para jogar. ‘‘Conheci um amigo que fazia mágicas com cartas, e a partir daí me interessei. Acabei aprendendo alguns truques quando entrei para a loja de mágicas, e também através de aulas em DVD e na internet’’, relata.
  O trabalho na loja foi o trampolim para Diego começar a fazer apresentações. ‘‘Lá eu fazia mágicas para a galera. Às vezes eu e o Guilherme fazemos apresentações juntos.’’ Festas de aniversários, casamentos, confraternizações de empresas e shows em bares são os eventos mais frequentes onde eles apresentam seus números.
  Guilherme até foi contratado por uma empresa de produção de eventos, onde tem salário fixo. As coisas estão acontecendo rápido para eles. ‘‘Não é uma questão de sorte, mas de correr atrás. Se a gente ficasse parado, não estaria aqui’’, explica Guilherme. ‘‘Tem que batalhar, pois as oportunidades não batem na porta’’, completa Diego.
  Os mágicos profissionais também ajudam bastante os iniciantes. É o caso de Delfus, presidente da Magipar (Associação de Mágicos do Paraná), que realiza reuniões mensais. ‘‘Lá eu comecei a fazer amizade com vários mágicos, que me mostraram uns números diferentes. Virei meio que aprendiz da turma’’, orgulha-se Diego. A lei do bom mágico é nunca revelar seus segredos. No entanto, isso vale apenas para o público. ‘‘Nós nos ajudamos uns aos outros’’, explica Guilherme.
  Diante do assunto, não houve como não tocar no nome do infame Mister M, que ficou conhecido por revelar segredos em grandes redes de tevê. ‘‘Eu achei uma grande sacanagem’’, revolta-se Guilherme. ‘‘Mister M é uma vergonha’’, emenda Diego.
  Para Diego, mágicos de verdade são o ilusionista estadunidense Criss Angel e o curitibano Jeff Aragon. Guilherme, por sua vez, se espelha em David Blaine. ‘‘Sempre peguei ele de exemplo por ser um cara batalhador, que hoje é um dos maiores mágicos do mundo. Já pude vê-lo ao vivo’’, orgulha-se.

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