MUNDO JOVEM - Hey Ho! Let's Go!
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terça-feira, 05 de agosto de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Passaram-se doze anos desde que os Ramones decretaram seu fim. O quarteto originário do Queens, região cascuda de Nova Iorque, sagrou-se como ícone do punk rock e símbolo de adolescência, deixando um importantíssimo legado para a história do rock.
No Brasil eles são bastante adorados. Tanto que seus ex-integrantes costumam incluir o país na rota de shows de suas novas bandas, como é o caso de C.J. Ramone, último baixista a integrar a formação, em 1989 (na época com 23 anos, hoje com 42), que no próximo domingo traz a Curitiba o show de seu atual grupo, o Bad Chopper, que vem divulgar o álbum de estréia.
A notícia sobre o show é motivo de felicidade para William Tupan, 17 anos. ''Eu quero ir, e até descolar um autógrafo. Já temos uma pele da caixa autografada pelo Marky Ramone, que o meu pai conseguiu. Quero ver se consigo autógrafos dos Ramones remanescentes'', comenta.
William e seu irmão Nicholas, 15 anos, aprenderam a ouvir rock com o pai. Ambos passaram boa parte da infância nos Estados Unidos, onde a banda não é tão reverenciada entre o público. ''Aqui no Brasil é diferente. Eles são uma banda grande mesmo, como se fosse um Beatles'', compara William.
Os irmãos tinham cinco e três anos, respectivamente quando os Ramones acabaram. Somente algum tempo depois conheceram a música do grupo. ''A primeira vez que ouvi foi no Brasil, quando meu pai trouxe um CD para ouvirmos na praia. Eu me animava com aquele som, me fazia ficar agitado. Para mim, essa foi a magia deles na música'', explica. ''Eles eram simples, rápidos e tocavam alto, acho que essa era a fórmula secreta'', completa.
Os irmãos montaram uma banda em que tocavam covers de diversas músicas dos Ramones. ''Tínhamos até uma homenagem chamada 'We Want The Ramones Back' (Nós Queremos os Ramones de Volta)'', comenta.
Hoje eles tocam no Riot Revolver, que também conta com o bateristra Henrique Silveira, 17 anos, que ouviu falar de Ramones na escola, citado por um colega. ''Um dia encontrei um disco deles na casa do meu tio, e levei para mim sem ele saber. Achei muito legal. Eu devia ter uns dez anos'', confessa o adolescente, que tempos depois se redimiu do pecadilho (ou quase). ''O disco ficou comigo por uns dois ou três anos. Já o devolvi pro meu tio, mas quero pegar de novo'', avisa.
Naiara Cavanha, 27 anos, tem sua adoração pelos Ramones impressa no corpo. Quando completou 15 anos, tatuou o brasão da banda, como um atípico presente de debutante. ''Meus pais queriam me presentear com uma viagem, mas abri mão pela tatuagem. No final das contas saí no lucro, pois acabei ganhando os dois'', lembra. ''Eles não queriam que eu tatuasse, mas depois que fiz, acharam bacana'', completa.
Dois anos antes, aos 13, Naiara foi ao histórico show da banda na Pedreira Paulo Leminski. Ela estava acompanhada por uma prima de 18 anos. ''Lembro que na entrada havia muita repressão e violência por parte da polícia. Lá dentro choveu muito, tanto que o palco inundou e atrasou a entrada dos Ramones, mas valeu a espera, pois o show foi muito massa.'' Para o show do Bad Chopper, Naiara já garantiu seu ingresso, mesmo sem ter ouvido o álbum do grupo.
Carolina Kuster, que tem a mesma idade de Naiara, também pensou em fazer uma tatuagem de seus ídolos quando era adolescente, mas seus pais não permitiram. Na época do colégio, ouvia AC/DC e Black Sabbath. Certo dia, uma amiga se desfez do CD ''Loco Live'', dos Ramones, que foi parar em suas mãos. ''A primeira vez que ouvi eu estranhei, pois as músicas eram muito curtas. Não gostei, mas dei uma segunda chance. No dia seguinte ouvi de novo e aí passei a adorar, ouvia todos os dias. Com o dinheiro da mesada, comprei um CD deles por mês até completar minha coleção'', relata.
Quando perguntada sobre o que os Ramones tinham de tão especial, aponta a simplicidade. ''Eles faziam uma música muito original e diferente. Foi a primeira banda que eu ouvi com músicas curtas e melodias fáceis de cantar e tocar.'' E completa o depoimento com duas máximas do universo dos Ramonesmaníacos. ''Quem não curte Ramones, bom sujeito não é. E quem ouviu Ramones uma vez, ouve para o resto da vida'', finaliza.


