Que tal dedicar sua vida a jogar videogames de forma profissional, viajar pelo Brasil e pelo mundo para disputar grandes torneios com feras de toda a parte do globo, e ainda ganhar salário para isso? Esse panorama paradisíaco para qualquer jogador já é uma realidade. Os cyberatletas, como são chamados, estão se proliferando pelo mundo, inclusive no Brasil. Alguns fazem de seu talento uma fonte de renda, ganhando remuneração mensal de empresas que os patrocinam, tal qual ocorre nos esportes convencionais.
Em Curitiba, Guilherme Bartz, 21 anos, alimenta o sonho de chegar ao ainda pequeno grupo dos jogadores patrocinados. Há cinco anos dedicado ao game profissional, Bartz participa, em média, de cinco competições por ano. No início deste mês, disputou a etapa regional do World Cyber Games (WCG), onde conquistou uma vaga para a etapa nacional, que será realizada em São Paulo, em setembro. Esta é a primeira viagem que fará em consequência dos games. Se for vitorioso, disputará a final mundial em Colônia, na Alemanha, no início de novembro.
Bartz dedica-se à popular série de jogos de corrida Need For Speed: Street Pro. A preparação é puxada. ''Costumo jogar de três a quatro horas por dia. Quando se aproxima o campeonato, duas semanas antes, chego a ficar dez a doze horas treinando'', relata. A preparação também inclui prevenção contra riscos de saúde. ''É preciso manter a boa postura diante do computador. Como estudo fisioterapia, faço uma preparação com relaxamento muscular, massagens e intervalos para não cansar fisicamente, só mentalmente'', alerta.
Para quem quer ingressar nessa vida, Bartz dá as dicas. ''Não há limite de idade. Você tem que gostar do que está fazendo, curtir o jogo, treinar muito e presenciar um campeonato antes para sentir como é um evento competitivo nesta área, que é muito diferente de jogar com amigos'', avisa.
William dos Santos, o ''Hurricane'', é outro paranaense a conquistar uma vaga para a final nacional de Need For Speed. Em um universo onde boa parte dos players mal têm 20 anos completados, William está com 27 e iniciou suas atividades profissionais há cerca de três, disputando anualmente torneios de nível avançado.
Seu dia-a-dia, é dividido em etapas. ''Eu trabalho no ramo de vendas na parte da manhã, treino à tarde e estudo à noite. Meu hobby nos finais de semana e horários vagos é o game'', relata. ''Ainda não consegui patrocínio, mas futuramente pretendo competir desta forma, conforme vou me classificando. Até chegar a um dia em que possa me dedicar apenas ao cyberesporte.''
Em São Paulo já é mais frequente encontrar cyberatletas com patrocínio e salário, como André Buffo, 17 anos, mais conhecido como ''Scorpion''. Assalariado desde o início deste ano pela MIBR, o jovem gamer de Laranjal Paulista, interior de São Paulo, acumula feitos invejáveis no currículo. Foi bicampeão nos torneios pan-americanos de 2006 e 2007 e campeão nacional em 2006. ''Foi o ano em comecei a jogar em campeonatos. A partir daí, como ganhei o torneio, eu passei a levar mais a sério'', comenta.
Com menos de dezoito anos, ''Scorpion'' já fez cinco viagens internacionais, em razão dos games. Foi para Itália, Holanda, Alemanha e duas vezes ao México. O cyberatletismo é a primeira profissão na vida de ''Scorpion'', que faz segredo quanto ao valor da remuneração. Ainda assim, tem que dividir o tempo com outras tarefas. ''Treino cinco horas por dia, e ainda tenho os estudos e outros compromissos, que não cheguei a largar por causa do game. Quando o campeonato se aproxima, treino oito horas por dia, duas semanas antes.''
Como era de se esperar, ''Scorpion'' abocanhou uma das vagas para o mundial no game de futebol Fifa 08, assim como seu colega Matheus Souto, 16 anos, de Sorocaba. Vencedor da regional de São Paulo no ano passado, Matheus disputa apenas o WCG, e também participa de competições on-line. ''Faço parte de um time europeu, onde sou o único jogador do Brasil. Fazemos campeonatos de ligas européias'', comenta.
Matheus iniciou nos games profissionis aos 14 anos, e assim como ele, muitos de seus colegas são bastante jovens. ''Acho que é por questão de tempo. Quem é mais velho tem mais compromissos, portanto não tem tanto tempo para jogar'', analisa. Mas nem por isso os aspirantes a gamers profissionais devem se intimidar. ''A dica é a pessoa tentar e conseguir. Em 2007 ninguém me conhecia. De repente eu apareço ganhando o campeonato de São Paulo. Tem que tentar.''

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