MUNDO JOVEM - Entre trapézios e malabares
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Não há criança que resista a um bom espetáculo circense. Bolas, palhaços, trapézio, malabares, entre outros, transformam-se em encantamento, que deixa o público em transe. E muitos desses garotos e garotas, atiçados pela curiosidade, quando crescem querem saber como é a vida do outro lado do picadeiro. Alguns aprendizes buscam uma alternativa profissional enquanto outros praticam atividades físicas de forma mais descontraída.
''Sempre tive interesse de saber mais sobre circo mas na minha cidade não tinha. Quando cheguei aqui até procurei mas não achei. Um dia peguei um ônibus errado e vim parar na frente da escola de circo'', recorda Ana Laura Cruz, 22 anos. Formada em Publicidade, ela veio de Belém a Curitiba para fazer pós-graduação em Comunicação Visual.
No entanto, a carreira está mudando de caminho nos últimos meses. ''Estou vendo no que vai dar. Posso trabalhar na área de publicidade mas tenho mais prazer e ganho mais como artista de circo'', afirma Ana, que após apenas três meses de treinos já está no mercado de trabalho. ''Normalmente o pessoal demora mais tempo mas em um mês eu já estava me desenvolvendo bem. No começo eu tinha mais dificuldade em subir no tecido'', emenda.
As atividades circenses dividem-se em aparelhos aéreos, como o tecido, o trapézio e a lira; e os de solo, a exemplo da cama elástica, malabares (que contam com vários tipos de instrumentos), arame, perna-de-pau, rola-rola (cilindro com uma tábua em cima) e monociclo. Para Ana, a variação e improviso na apresentação é que faz a diferença. ''Vejo muita coisa no YouTube (arquivo de vídeos online, no endereço www.youtube.com), do Cirque du Soleil, de circos europeus. O que mais valorizo é a busca pela expressão artística, porque técnica é tudo igual'', avalia.
Quem não pensa em ser artista circense mas se interessa pelas atividades também pode praticar por hobby ou para manter o corpo em forma. É o caso de Patrícia Brazoloto, de 25. ''Trabalho com maquiagem e pintura corporal e conheci os professores durante uma feira. Fizemos uma parceria e decidi vir aqui conhecer. É diferente de academia, aqui você faz um alogamento legal e os exercícios são divertidos, mais descontraídos'', destaca a aluna.
A fuga do cotidiano de levantar pesos e ficar pedalando em ritmo monótono é o que mais motiva Patrícia a trocar a academia pelas aulas de circo. De acordo com a aluna, os resultados são tão intensos como em uma seção de malhação, ou até melhores. ''Já fiz academia um bom tempo e o circo é mais forte, exige mais de você. O melhor é que você não faz uma coisa rotineira'', diz. As atividades com tecido e trapézio, por exemplo, fortalecem braço e abdomen, e os malabares ajudam na coordenação motora.
Patrícia fez apenas quatro aulas, mas não pensa em largar as aulas de circo tão cedo. ''Não tenho a intenção de me apresentar. Só quero é continuar, o máximo de tempo possível.''


