Já são 30 anos de tradição na encenação do espetáculo ''Vida, Paixão e Morte de Jesus Cristo'', do Grupo Lanteri, que na sexta-feira deve emocionar uma vez mais o público presente na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. E, das cerca de 800 pessoas que participam da montagem, a maioria absoluta é composta por jovens voluntários.
''Acho que dessas 800, mais de 70% são só de jovens'', assegura a publicitária Andressa Paulin, de 23 anos, que neste ano terá o papel de ''coordenadora de povo'' no palco. Andressa interessou-se pela encenação após ter visto o espetáculo na Pedreira Paulo Leminski. ''Em um ano fui assistir e no outro já queria ir participar. Vi os contatos e fui atrás'', lembra. ''Acho que muita gente é voluntária pelo fato de ter um grupo de amigos aqui, procuram também algo para sair da rotina.''
Para Ângela Maria Pinto, de 18 anos, participar da encenação já virou rotina todos os anos. Ela participa da peça já há 14 anos e não se cansa de contar a mesma história para o público. ''É como se fosse um hobby. O que mais gosto é ter a sensação de chegar no dia e ver a emoção das pessoas. É a mesma história, mas sempre tem alguma coisa diferente'', afirma. Ângela já fez quatro papéis diferentes e desta vez encarnará uma cuspidora de fogo.
Os ensaios duram cerca de cinco semanas, com duas sessões de três horas por semana. Dedicar-se para uma atividade como essa, de forma voluntária, chega a gerar questionamentos dos colegas, de acordo com Pâmela Laurindo, de 23 anos. ''O pessoal pergunta: mas por que você faz isso, você ganha alguma coisa?'', diz. A razão pela pergunta, é, segundo Pâmela, o próprio distanciamento atual do jovem em relação à religiosidade. ''Muita gente não vai deixar de sair no sábado à noite ou acordar no domingo de manhã para ir à missa'', reflete.
A principal razão do afastamento da igreja é, de acordo com as três, as missas ''chatas'', sem apelo para os jovens fiéis, que preferem dedicar seu tempo para outras atividade. ''Procuro ir pelo menos uma vez por mês. Mas a missa é uma coisa muito antiga e a igreja não gosta de inovar'', reclama Pâmela. ''Já fizemos parte de grupo de jovens e tentamos mudar alguma coisa mas era muito difícil'', complementa.
Para elas, a encenação da Paixão de Cristo serve, então, como uma forma de aproximar os jovens e também mostrar a beleza de uma história que poucos conhecem em sua plenitude. ''A gente não sabia que Jesus era uma pessoa festiva, normal, como a gente. Na peça tem muitas pessoas que existiram e que a gente não sabia que eles faziam parte da história. Isso é legal porque aproxima a imagem de Jesus com a da gente'', comenta Andressa. ''É uma forma diferente de passar aquela mensagem para quem não conhece'', completa Pâmela.
A montagem também abre a possibilidade dos participantes trabalharem com artes cênicas. ''A escolha da minha profissão foi por causa disso, queria fazer algo relacionado com teatro e comunicação'', justifica Andressa. ''A maior parte da peça é improvisação. A peça ajuda a desenvolver, trabalhar em público, ter espírito de equipe'', acrescenta Ângela.
E encenar a Paixão de Cristo frente a uma grande multidão também deixa os voluntários nervosos. ''Já teve gente que caiu do palco, outra vez chamaram um rapaz e o cara saiu do lado errado... No meio do cena, teve gente que escorregou. Mas é normal, o público nem percebe'', ri Ângela.

SERVIÇO
- ''Paixão, Vida e Morte de Jesus Cristo'' - Grupo Lanteri
Quando - Sexta-feira, às 20h
Onde - Pedreira Paulo Leminski, R. João Gava, s/nº
Quanto - Um quilo de alimento não perecível

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