Curitiba - Que Medicina e Direito costumam ser os cursos mais procurados nos vestibulares das maiores universidades do Brasil todo mundo está careca de saber, inclusive os calouros. Mas e o que acontece os menos concorridos, especialmente os pouco conhecidos no Paraná? A FOLHA abre hoje uma série de reportagens que mensalmente irão desbravar esse terreno ainda pouco habitado pelos estudantes que ainda não descobriram sua vocação. Ou para os que simplesmente têm curiosidade sobre outras alternativas no ensino superior.
O curso deste mês é Matemática Industrial da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que, apesar de ter registrado a menor concorrência do último vestibular da entidade, com apenas 2,8 candidatos por vaga, foi a primeira escolha de estudantes atualmente bastante felizes com a opção.
''Sempre gostei muito de matemática e pensei em algo relacionado, como Engenharia. Mas nenhuma delas me agradou. Daí eu vim aqui, conversei com o coordenador do curso e eu tinha o perfil para a Matemática Industrial, que busca gente que tenha raciocínio rápido e que saiba trabalhar em equipe'', explica a aluna do quinto período de Matemática Industrial da UFPR, Eloá Damian, de 20 anos.
Mas qual é a diferença entre o curso tradicional de Matemática e o de Matemática Industrial? Bem, de acordo com o coordenador de Matemática Industrial da UFPR, Luiz Antônio Ribeiro de Santana, a aplicação prática da teoria no mercado de trabalho é o foco do profisssional da área. ''Existem áreas da matemática aplicáveis em situações reais, que têm relação direta com a matemática. A Matemática Industrial procura encontrar soluções junto com outras áreas. Por exemplo, se você tem um centro de produção com locais de venda que estão ligados por estradas, o profissional pode calcular a alocação de produção com o menor custo de transporte'', ilustra o professor.
O curso está disponível na UFPR desde 2000 e é reconhecido pelo Ministério da Educação desde 2004. As disciplinas estão organizadas em três grandes áreas da Matemática Industrial: Análise Numérica, Física-Matemática e Otimização & Pesquisa Operacional. O Ciclo Básico ocorre nos quatro semetres iniciais, com ensino voltado para Matemática, Física e Computação. Em seguida começa o Ciclo Profissionalizante, que inicia o direcionamento do aluno para atuação em formação específica.
''A diferença do curso daqui em relação à Matemática Industrial de outras faculdades é que temos muitas disciplinas optativas, como Estatística, Física, Informática, Administração, Engenharia Elétrica, Mecânica ou Química e por aí vai'', diz o coordenador do curso. Na UFPR são 70 opções para ênfase em outras áreas relacionadas, mais do que nas outras cinco universidades brasileiras onde a Matemática Industrial é ofertada, em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Atualmente no quinto período do curso, Vanessa Hlenka, 20 anos, afirma que inicialmente os pais estranharam a escolha, mas hoje dão apoio total. ''Meu pai disse que gostaria de ver eu fazendo Direito ou Medicina mas eles dão apoio sim.'' O colega de classe, Bruno Pellanda, 19 anos, também teve que se explicar no começo e agora já se acostumou com perguntas por falta de informação sobre a Matemática Industrial. ''Quando falo que curso Matemática Industrial o pessoal acha que é só para dar aula, mas depois eles entendem que têm outras opções'', relata.

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