MUNDO JOVEM - De mochila pelo mundo afora
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
A coisa toda teria se organizado a partir dos anos 50, com o famoso livro ''On the Road'', de Jack Kerouac. Um grito beatnik contra a guerra e os yuppies, um chamado para que todos os jovens se reunissem e saíssem por aí, sem rumo, viajando do jeito que desse, para curtir a vida e conhecer o mundo. Nos anos 70, a cultura ''backpacker'', ou de mochileiros, alastrou-se pelo mundo, especialmente a partir da Austrália e de dois mentores, o casal Tony e Maureen Wheeler, junto de seu guia, o Lonely Planet. Hoje, viajar de mochila não é só coisa de aventureiro: é o meio mais acessível para quem tem pouco dinheiro e vontade de sobra para conhecer gente e lugares diferentes.
''O mochileiro antes era um cara radical, que procurava aventura. Isso foi mudando com o tempo e a mochila ficou tão prática que hoje o mochileiro é o cara que vai pra qualquer canto de mochila'', explica Antônio Daniel Lipienski, de 45 anos, que é mochileiro há mais de 13 anos, desde quando abriu uma loja com os equipamentos para turismo de aventura.
A mochila se transforma na ''casa portátil'' desses viajantes, que procuram levar o mínimo possível para poder se deslocar com facilidade. Afinal de contas, andar a pé ou por outros meios alternativos ajudam os turistas a apreciar melhor a visita. ''São pessoas com objetivos iguais no mesmo lugar, com orçamento curto'', resume a mochileira Giovana Ruaro, de 21 anos.
Giovana viajou como mochileira por três meses na Europa. ''Fiquei esse tempo todo com pouco dinheiro e consegui bancar o resto da viagem trabalhando em Londres por um tempo. A Espanha e a Escócia foram os lugares 'mais baratos' em que estive'', lembra. Em outra viagem, Giovana ficou 17 dias na Europa e gastou R$ 1,6 mil, sem contar as passagens internacionais. ''Isso não dá nem 100 dólares por dia, contando alimentação, hospedagem e transporte'', completa.
Já Antonio esteve em Ubirici, em Santa Catarina, por bem menos. ''Fui para um lugar onde a paisagem é muito bonita, faz menos de cinco graus negativos no inverno e tem um canyon fantástico. Fui de carona e fiquei na casa de conhecidos durante três dias e gastei de 100 a 200 reais. Se fosse ficar em hotel e tudo mais, iria gastar no mínimo uns mil reais'', contabiliza.
Boa parte dessa economia nas viagens dos mochileiros é possível não só pela alternativa na hora de comer barato ou nas trilhas a pé. Os albergues são as melhores opções para quem quer conhecer o mundo, de acordo com Giovana.
''Hotel é mais frio. Os albergues são fontes para conhecer pessoas e o que vale mais é a dica dos lugares, daquele barzinho descolado e barato. Mochileiro sempre descobre amigos que podem ter um lugar legal pra te levar'', diz a mochileira. ''Além disso, viajar sozinho cria a necessidade de conversar. Eu era bem tímida e tive que fazer um esforço para me soltar e conhecer as pessoas fora daqui'', aconselha a viajante.


