MUNDO JOVEM - Com os dois pés na Índia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de maio de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Aos 13 anos, Juliana Bonaldo Pinho começou a se interessar pela cultura oriental e a ler sobre o budismo. Aos 17 anos conversava pela internet com um amigo indiano e aos 20 anos foi para a Índia pela primeira vez. Hoje, aos 23 anos, ela dá aulas de dança indiana em Curitiba e ensina a outras jovens a simbologia de uma tradição milenar, que ela aprendeu na faculdade e na especialização cursadas lá.
Juliana ensina Bharathanatyam, dança clássica do Sul da Índia, e a dança moderna, chamada Bollywood, modalidade difundida pela indústria cinematográfica local. Como Juliana, muitas jovens têm procurado a dança indiana não apenas pela atividade física mas pela riqueza de uma cultura bem diferente da que estamos acostumados. ''Tem que aprender um monte de coisas para sobreviver lá. Eu desatava a chorar mas aguentei'', lembra a jovem, que viveu dois meses na casa do amigo indiano e outros 10 meses num pensionato em Bangalore, onde frequentava a faculdade, na Kaishiki Natyavahini - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Dança Clássica, Música e Yoga. ''Comia arroz de manhã, arroz de tarde e arroz de noite. Não posso mais ver arroz'', conta Juliana, que também aprendeu a tomar banho de canequinha, por causa do racionamento de água.
Mas apesar das dificuldades, Juliana encantou-se com a arte local e voltou à Índia no ano passado para um curso de especialização, dessa vez na capital Mumbai, no Instituto de Arte Visual Pavitra. ''No palco, a dançarina está representando o divino, o sagrado que há dentro da gente. Se você está alegre, o público fica alegre com você. Se você está triste, o público fica triste com você. É o que eles chamam de 'bahava': conseguir, através da expressão, invocar as emoções e o sentimento do público'', explica a dançarina.
Bailarina clássica desde criança e formada em dança pela Faculdade de Artes do Paraná, Miriam Lamas Baiak, de 23 anos, teve o primeiro contato com a dança indiana há quatro anos, durante um curso, e apaixonou-se. ''Gostei da riqueza dos detalhes. O olhar e as mãos têm uma expressão bem forte'', observa Miriam. Ela ressalta que a determinação é indispensável no caso da dança clássica indiana. ''É uma dança difícil, equivale ao balé clássico. As pessoas geralmente desistem'', afirma Miriam, que tem planos de aperfeiçoar seus estudos na Índia em janeiro do ano que vem.
Admiradora da cultura oriental, Sri Radhe, de 30 anos, conta que também sentiu dificuldades quando começou a aprender a dança indiana seis anos atrás. ''Tem que se dedicar, ter tempo para ensaiar porque o corpo não está acostumado. Até acostumar demora um pouquinho, mas valeu a persistência'', garante a dançarina, que também dá aulas de Bharathanatyam e Bollywood.
Por misturar danças tradicionais indianas com danças modernas, o estilo Bollywood vem se adaptando melhor ao gosto ocidental e é o que atrai mais alunas. Mas o que desperta a atenção continua sendo a diferença cultural. ''No ocidente as coisas não são mantidas como tradição. Na Índia eles buscam se conhecer melhor e às outras pessoas, buscam a harmonia com o mundo e a natureza. Não é voltado só para o eu, mas para o espiritual'', avalia Sri Radhe.
SERVIÇO
- Academia Espaço Holístico Paramitta - R. Visconde do Rio Branco, 84, Mercês. Informações: (41) 3018-5056.
- Espaço Hare Krishna - R. Duque de Caxias, 76, Largo da Ordem. Informações: (41) 9183-2231.


