Curitiba - Que o cinema nacional cresceu bastante na última década, isso não há dúvida. Foram diversas produções, que passaram a ser mais e bem prestigiadas em salas de todo o País, com direito a indicações ao Oscar, aumento na distribuição e produção, maior número de profissionais envolvidos e incentivo, como também mais gente se interessando sobre o assunto. O Paraná segue essa tendência e a reportagem da FOLHA2 conversou com jovens cineastas que estão trabalhando nessa cena para saber mais sobre esse momento de efervescência.
''Ainda que a nova geração não conheça muito o cinema paranaense, muita coisa está acontecendo'', afirma o cineasta e estudante de jornalismo Rafael Urban de 21 anos. Ele foi um dos coordenadores do recente PUTZ - Festival de Cinema Universitário, que neste ano reuniu 232 produções universitárias, entre as quais 78 eram curtas produzidos no Paraná.
''Hoje em dia há um contato maior entre o pessoal da faculdade e o pessoal que está no mercado já há algum tempo e isso facilita um pouco as coisas'', diz Rafael, que dirigiu os curtas ''UmZe01'' e ''João e Maria''. De acordo com o cineasta, o momento é propício para o ''boom'' de produções, especialmente devido aos avanços na captação de imagens e ao interesse crescente nas faculdades. ''A faculdade acaba sendo um meio interessante, porque você tem câmeras à disposição e universidade acaba funcionando como meio de acesso para a produção'', destaca.
Sobre a nova fase do cinema paranaense, Rafael acredita que o interesse crescente, os projetos, o número de espaços e leis de incentivo têm influenciado bastante na mudança de ''perfil'' do cinema paranaense. ''Antes a coisa era muito de paixão, de cineclube mesmo. Agora você vê pessoas estudando, discutindo o cinema'', afirma. ''Nessa nova fase não há uma temática em comum, apenas alguns olhares e propostas diferentes, como a do Beto Carminatti, que sempre destaca o Dalton Trevisan, o cinema sensível do Ricardo Machado e a linguagem experimental do Murilo Hauser'', exemplifica.
O cineasta Murilo Hauser, de 26 anos, que acaba de lançar o curta ''Outubro'', concorda com Rafael. ''O que está acontecendo é um 'boom', não tanto qualitativo mas quantitativo. Mas quanto mais gente faz, mais coisa de qualidade aparece'', acredita.
Uma das ressalvas com relação a esse aumento de interesse, de acordo com Murilo, fica por conta da falta de planejamento de quem quer começar a trabalhar com cinema. ''Todo mundo quer dirigir, tem muita gente que quer aparecer. Mas primeiro, as pessoas precisam se perguntar o que elas querem fazer. O cinema tem um monte de funções e todas elas são legais'', opina. ''Sinto falta de gente nova que quer fazer outras coisas. Muita gente com quem já trabalhei são pessoas de outras áreas, adaptadas para o cinema. Às vezes o cara sabe escrever mas não sabe dirigir e ele tem que perceber isso'', completa.
Para quem está começando, a dica de ambos é, essencialmente, assistir a filmes. ''Tem que ir atrás do que gosta. Se gosta de filme chinês, vá atrás de tudo, pra saber de tudo. O mercado precisa de mais gente gostando de coisas diferentes'', aconselha Murilo. ''Acho que mesmo que não seja do seu gosto, você precisa buscar referências e cinematografias para observar, entender o que está acontecendo, para que serve uma claquete e etc. As oficinas de cinema também são importantes para as pessoas trocarem experiências'', acrescenta Rafael.

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