MUNDO JOVEM - Cidadania participativa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Fazer parte da Comunidade Européia como cidadão oferece vantagens como a liberdade de circulação e residência no território dos estados-membros, direito de voto e de elegibilidade, além de proteção diplomática e consular. Por isso, muitos descendentes de famílias estrangeiras que no passado vieram para o Brasil em busca de melhores condições de vida, hoje buscam fazer o caminho inverso, já com as facilidades que a dupla nacionalidade pode proporcionar.
A obtenção da cidadania de outro país, no entanto, também implica em deveres e na necessidade de conhecer a cultura da qual o novo cidadão passará a fazer parte. ''A maior parte não está nem um pouco interessada pelo país, só querem saber do livre acesso, da facilidade de trânsito. O país que dá a cidadania e os benefícios espera algo em troca'', avalia Fabiola Costa Machado, 20 anos, nascida no Brasil e cidadã portuguesa desde 2002.
Filha de portugueses, Fabiola ajuda a manter as tradições de sua segunda nação mesmo vivendo no Brasil. Desde 1997, ela participa das atividades desenvolvidas pela Sociedade Portuguesa 1º de Dezembro, em Curitiba, e é uma das integrantes do Grupo Folclórico Português Alma Lusa. ''Minha mãe é de uma geração em que o folclore foi controlado pela ditadura em Portugal. Foi uma surpresa para ela que uma das filhas se interessasse por isso. Hoje os jovens lá também estão resgatando coisas que estavam sendo deixadas de lado, que só os avós conheciam. Essa busca acontece aqui e lá ao mesmo tempo'', observa a jovem.
Para Fabiola, o acesso às informações sobre sua cultura de origem através da própria família colabora para a formação da própria identidade. ''Ter em casa com quem conversar, a quem perguntar, torna mais fácil conhecer mais profundamente a sua história e a de sua família, coisas que eu não ia achar em um livro qualquer'', compara Fabiola.


