Curitiba - Todo mundo que gosta de futebol um dia já sonhou em estar no lugar do técnico da seleção brasileira, de fazer um gol com o estádio lotado em uma final de campeonato ou de se refestelar com as palmas depois de um lance mágico ao melhor estilo de Ronaldinho Gaúcho. Pois é, com as duas últimas gerações de videogames, esses desejos podem ser reproduzidos com bastante fidelidade. Para isso, os gamemaníacos escolheram a série Winning Eleven (WE) como a mais apropriada, tanto é que o jogo virou febre, não só no Brasil como no mundo todo.
''Eu gosto porque posso montar o time do jeito que eu quero e também fica bastante parecido com a realidade'', afirma Iuran Nikolau Wolski Pereira, de 12 anos. O WE é bastante apreciado não só devido aos belos gráficos e aos movimentos realistas de atletas conhecidos, como o atacante Adriano ou o meia Kaká, mas também por causa da jogabilidade intuitiva, que torna a experiência ainda mais próxima de uma partida ''de verdade''.
Ainda que a leitura de jogo favoreça quem pratique futebol na vida real, as qualidades para ser um boleiro virtual de destaque são diferentes. ''Do mesmo jeito de um esporte como sinuca, boliche ou golfe, o Winning Eleven não exige muito do físico, e sim da mente, da habilidade'', comenta o técnico em radiologia Elthon John Estevão, de 28 anos.
''Muitas pessoas olham e dizem que é coisa de criança, mas não é'', reclama Elthon. ''Nos dois anos, houve um crescimento muito grande do número de jogadores no Paraná. E não só em quantidade, mas também em qualidade. Hoje o nível está tão parelho que mesmo a pessoa tecnicamente melhor pode perder senão tiver concentração'', destaca. O jogador só tem uma ressalva quanto ao futebol digital. ''Conheço gente que tem problema com a esposa'', diz, já que as sessões costumam durar pelo menos uma hora por dia.
E foi justamente para não ficar de lado é que Carla Piera, de 19 anos, decidiu aprender a jogar. ''Meu marido jogava com os amigos dele e comecei a jogar para não ficar sem fazer nada. Eles sempre se divertiam e pensei que devia ter algo de bom naquilo'', lembra.
Assim como na vida real, o público feminino é minoria no futebol digital e Carla diz que chegou a aconselhar as amigas a aprenderem a jogar para não ''ficarem de lado'' enquanto seus companheiros estão entretidos. ''Mas as minhas amigas acham muito complicado o controle do videogame e também acham que é sempre a mesma coisa, mas não é'', assegura.
Entre os ''peladeiros digitais'', Carla afirma que há uma discreta subestimação quando um homem enfrenta uma mulher. ''Tem aquela coisa de os caras acharem que mulher é um adversário fraco'', revela. Mas isso, segundo a jogadora, serve como incentivo ao desafio. ''Gosto mesmo é de ganhar dos meninos.''
Cuidados - Como todo mundo sabe, tudo o que é demais faz mal. E por isso mesmo, os jogadores têm consciência que não dá para ficar ali grudado na telinha de um PlayStation 2 ou de um X-Box o dia inteiro. ''Não é recomendável deixar de fazer as coisas, os compromissos e as responsabilidades'', afirma Elthon, que joga cerca de uma hora por dia e intensifica até três horas quando participa de campeonatos.
''Não pode ficar muito perto da tevê, porque senão força a vista'', alerta Iuran, que também joga aproximadamente uma hora por dia. O videogame, aliás, só é liberado mediante a troca por um boletim aprovado pelos pais. ''Só posso jogar se tenho boas notas.'' E o jovem jogador também dá uma dica para quem se dá bem no esporte virtual. ''É legal também fazer outros esportes, na realidade. Eu faço judô'', completa.

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