MUNDO JOVEM - Big sisters
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Quem não gosta de conhecer gente nova, lugares diferentes, uma outra cultura? Pois é, mas nem sempre quem quer pode viajar e passar um tempo no exterior, seja por falta de tempo ou dinheiro. E uma das alternativas mais acessíveis para vivenciar o cotidiano estrangeiro tem sido o formato de intercâmbio Au-Pair, bastante procurado por garotas, que passam um tempo com outra família cuidando de crianças, como ''irmãs'' por um determinado período de tempo.
''O Au-Pair é um programa que nasceu há mais ou menos 20 anos e tem como objetivo receber alguém como membro de uma família. Não é exatamente uma babá, porque a relação de troca é maior do que simplesmente cuidar dos membros da família, o compromisso é maior, como se as meninas fossem irmãs mais velhas'', explica a conselheira estudantil do grupo World Study, Djeine Winiarski, ex-Au-Pair, de 29 anos.
O programa, que atende jovens de 18 a 30 anos - dependendo do país -, também aceita homens, que são minoria, principalmente porque um dos pré-requisitos é saber cuidar de crianças, tarefa naturalmente mais executada por mulheres, especialmente na faixa etária requerida. De acordo com Djeine, somente de Curitiba viajam para o exterior na modalidade Au-Pair aproximadamente 90 garotas por ano, e em todo o Brasil são mais de 2 mil por ano.
O principal atrativo para a alta procura por esse modelo de intercâmbio é o baixo custo do programa. ''O custo-benefício é muito bom e esse tipo de intercâmbio também é melhor do que uma viagem de turismo, porque você vive o dia-a-dia no ambiente e aprende muitas coisas, principalmente da língua, gírias, coisas que não aprende em um curso de inglês'', exemplifica a psicóloga Andreza Benke da Costa, 25 anos, que já havia feito um intercâmbio de dois meses em Maine, nos Estados Unidos, e agora pretende voltar à Terra do Tio Sam em julho, como Au-Pair em Minnesotta.
A matrícula para o Au-Pair custa em média R$ 100 e o pacote com passagem de ida e volta para os Estados Unidos, por exemplo, sai por R$ 1.390, com possibilidade de reembolso de US$ 500 no retorno. As garotas são remuneradas por cuidar das crianças e também precisam estudar a língua local. A World Study tem convênio com 11 países e a média de idade, assim como os custos variam de acordo com o destino.
A possibilidade de ganhar dinheiro acaba seduzindo muitos jovens a permanecerem no destino, mesmo após o término do programa. ''Depois que me adaptei me deu vontade de ficar, dá para estender o programa. Você tem tantas oportunidades'', afirma a psicóloga Tatiane de Oliveira, 26 anos, que passou um ano no Texas como ''big sister'' de duas meninas, uma de dois e outra de cinco anos. Tatiane diz conhecer Au-Pairs que chegaram a ficar ilegalmente nos Estados Unidos.
''Mas a gente não aceita quem tem interesse em imigrar para outros países, pessoas que têm visão de não voltar. É por isso que temos um bom relacionamento com os consulados'', acrescenta a conselheira estudantil Djeine. Como a entrada em alguns países ficou mais difícil nos últimos anos, especialmente com a queda dos valores de passagens aéreas, a viagem por meio de programas como o Au-Pair facilita o intercâmbio.
Apesar da facilidade de ganhar dinheiro, o que vale mesmo, segundo as Au-Pairs, é a experiência. ''Tive um crescimento pessoal muito grande, aprendi a valorizar as coisas do meu país e também aprendi bem o inglês'', comenta Tatiane. As dificuldades de adaptação, de acordo com a psicóloga, foram pequenas. ''A maior dificuldade é a saudade de casa. Mas não tem um choque cultural muito grande, mais as coisa do dia-a-dia mesmo. Nos Estados Unidos eles não usam varal ou almoçam, por exemplo. Até fiz um arroz com feijão e um strogonoff, eles adoraram'', diverte-se.
O choque cultural, aliás, costuma ser pequeno nesta modalidade de intercâmbio, já que as famílias e as próprias meninas escolhem com quem vão ficar, são preparadas para isso. ''Às vezes acontecem brigas entre as garotas e as famílias ou até meninas que chegam lá e não gostam do ambiente. Mas aí a gente procura trocar de família ou senão a menina volta'', diz Djeine.
Para muitas garotas, o Au-Pair é uma oportunidade de viajar e vivenciar a vida no exterior depois de terminar os estudos. É o caso de Débora Cristina de Oliveira, 21 anos, recém-formada em Música. ''Sempre me imaginei morando fora, falando outra língua. E adorei a idéia do envolvimento com crianças'', destaca. Mas morar fora do Brasil, por enquanto, é uma idéia a ser descartada. ''Aqui é um lugar para ficar. Quero ir para os Estados Unidos, quero ter experiência e conhecimento, mas quero ficar no Brasil.''


