Durante a abertura da Parada da Diversidade 2007, realizada em Curitiba no último domingo, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Toni Reis, ressaltou que o sentimento de comunidade que a festa traz é importante para aumentar a auto-estima, principalmente dos adolescentes. ''Queremos mostrar que não somos dois ou três. Em comunidade você se sente mais forte. Quando eu era adolescente achava que era o único'', contou Reis.
Para Paula Renata Cury, de 20 anos, a geração dela tem mais liberdade que a de seus pais para assumir a própria sexualidade. ''Se a minha mãe dissesse para a mãe dela o que eu disse seria um absurdo. Os pais hoje não acham uma coisa de outro mundo'', observa. Paula contou para a mãe sua opção sexual há dois anos. ''Não queremos nos esconder atrás de máscaras. Minha mãe sempre apoiou, trata minha namorada como se fosse filha dela'', conta. Mas Paula diz que nem todos contam com o mesmo apoio. ''Muitos amigos meus se escondem, não podem assumir porque os pais castigam e proibem de fazer qualquer coisa por eles terem uma opção sexual diferente'', afirma. A repressão, no entanto, não surte efeito, alerta a garota. ''Vão deixar que os filhos façam as coisas escondidos. Não adianta ir contra porque eles vão fazer do mesmo jeito'', garante.
Entre os próprios adolescentes a diferença já é aceita com mais facilidade. Fernanda Ewald Rossa, de 20 anos, é heterossexual e convive com amigas que se declaram bissexuais. Embora hoje considere a opção delas ''uma coisa supernormal'', admite que recebeu a notícia com surpresa. ''Fiquei meio assustada mas depois você acostuma. Acho que é a reação de todo mundo. Depois fiquei com vergonha de mim mesma'', lembra.
Há dois anos Marco Antônio Alessi, de 22 anos, é também a drag queen Yohanah. Para ele, a aceitação de cada um depende da forma como a pessoa foi educada em casa. ''Se os pais têm um modo arcaico de pensar é mais difícil. E quem tem educação se assume sem traumas e sem muitos riscos'', avalia. A drag queen Rafaela Andrews, de 19 anos, explica como descobriu há quatro anos que gostava de se ver maquiada. ''Me maquiaram só para eu ver e eu achei que fiquei muito bonita. Então eu disse: 'é esse o meu futuro, vou ter que ser mulher'.''
Já para Cleiterson Brambila, de 19 anos, o preconceito ainda é grande. Em casa ele recebeu o apoio da mãe, mas lembra que no colégio sentia-se discriminado. ''Deixavam de lado, não falavam com a gente por sermos assim'', lamenta. E até o tratamento dado pelos professores era diferente, segundo o garoto. ''Qualquer bagunça na sala os culpados eram sempre a gente'', conta. Eduardo Fonsaca, de 22 anos, acredita que trabalhos de divulgação do tema, como a Parada da Diversidade, têm ajudado a diminuir a discriminação, principalmente entre os mais jovens. ''Minha mãe sabe e meu pai finge que não sabe, acho que é porque ele já tem mais de 60 anos, mas ele me respeita. Já os meus amigos não me discriminam por nada. A parada tem ajudado bastante, o pessoal está acostumando mais'', justifica.

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