MUNDO JOVEM - 24 horas de histórias em quadrinhos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
A idéia é a seguinte: criar uma história em quadrinhos completa, de 24 páginas, em 24 horas. A brincadeira foi lançada pelo quadrinhista Scott McLoud, conhecido por aqui pelo livro ''Desvendando os Quadrinhos'', e virou desafio internacional. Um grupo de artistas de Curitiba decidiu encarar a maratona e, pela segunda vez consecutiva, conseguiu cumprir o objetivo.
''A gente gosta de HQ e a notícia de que o Brasil não tinha participante para o desafio chamou nossa atenção e então entramos no ano passado. Conseguimos produzir três histórias'', afirma Felipe Souza Martins, 22 anos, professor de inglês, que coordena o grupo na QCR Comics, estúdio de Curitiba formado a partir do 24 Hour Comic Day (ou Dia dos Quadrinhos 24 Horas) de 2006. ''O estúdio tem um ano e foi criado no 24 Horas do ano passado. Desde então a gente tem trabalhado com ilustrações e animação'', explica.
O desafio para os curitibanos começou às 21 horas da sexta-feira, no fundo de um bar, onde é sediado o estúdio. Os ''competidores'' precisam fazer todo o processo sozinhos: desde o argumento, o roteiro, passando pela composição e desenho, arte-final e pós-produção em computador. Há uma variação on-line, em que a produção deve ter no mínimo 100 painéis, formatadas e disponíveis na internet dentro do prazo estipulado. Nesta edição participaram artistas de Salvador (BA), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e sete quadrinhistas em Curitiba, mas somente quatro terminaram suas histórias a tempo.
''A gente fez divulgação pela internet e chegou um rapaz aqui pensando que era só para roteirizar. Ele ficou aqui por um tempo ajudando, mas acabou indo embora. O outro tentou um pouco, mas logo ficou cansado e foi embora também'', diz Martins.
Para o engenheiro eletricista Leandro Nogueira, 25 anos, o maior desafio, além de ficar acordado durante todo o processo, é controlar o conteúdo criativo para não se perder durante a narrativa da história. ''O maior problema é saber dosar o conteúdo da história em 24 páginas. Você planeja tudo mas acaba mudando bastante conforme vai fazendo'', reflete o quadrinhista, que uma hora depois desistiria de continuar a maratona artística.
Breno do Burrego, de 15 anos, chegou a tirar uma breve soneca em uma ''sofazinho'' improvisado com cadeiras de plástico. ''Estou participando porque fiz um curso e gosto de quadrinhos. Essa história que estou fazendo é meio 'Estranhos no Paraíso' (publicação do artista norte-americano Terry Moore), que fala mais sobre relacionamentos'', relata.
Depois de 14 horas seguidas acordado, Kariston Tanaka, 23 anos, era o mais adiantado na produção. ''Fiz nesse estilo (parecido com os mangás, os quadrinhos japoneses) porque era o mais fácil e rápido. Mas depois ainda tem que colocar as letras no computador. O problema mesmo é o tempo, é difícil fazer tudo em 24 horas'', comenta. A história precisa ficar pronta não somente para leitura mas também para impressão nesse período.
A maratona, segundo os quadrinhistas acabou sendo aceita por cada um deles pela paixão à Nona Arte, no entanto, a possibilidade de ''aparecer'' no mapa do quadrinho nacional e internacional também chama a atenção. ''Aparecer não é o foco, estou gastando aqui 24 horas do meu tempo para ganhar nenhum centavo. Mas é uma vitrine'', destaca o ilustrador Igor Pinto Arantes, de 29 anos.


