Mundo fantástico
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de abril de 2014
Luana Borges<br> TV Press 
Assim que as primeiras chamadas de "Meu Pedacinho de Chão" entraram no ar, foi possível notar a intenção da Globo em atrair os olhares do público para a estreia da próxima trama das seis. Os cenários recheados de cores fortes e informações visuais, o figurino do elenco no estilo "conto de fadas" e os bichos representados por bonecos são alguns dos elementos que colaboram para uma estética ousada e pouco vista em folhetins, trazida pelas mãos do diretor Luiz Fernando Carvalho. Em tempos de difusão da internet e de muitas distrações para o telespectador, atingir as expectativas de audiência em todas as faixas tem sido uma meta frustrante para a emissora. Principalmente no horário das 18 horas, em que a última produção bem-sucedida foi "Cordel Encantado", de 2011. Talvez por isso a Globo não tenha receio em apostar em uma novela tão heterodoxa. Pelo menos, autor e diretor estão confiantes nesta empreitada. E juram não ligar para cobranças de audiência. "A preocupação com a audiência eu sempre tenho em algum canto, mas, se for pensar nisso, não gravo", admite Luiz Fernando, que não revela o custo por capítulo, mas nega que seja mais caro que um orçamento padrão de novela. "As pessoas sempre acham que meus trabalhos têm alguma coisa a mais que os outros. Não têm nada de mais. É a mesma câmara, mesmo cenário. O valor do meu trabalho é humano", filosofa.
Esta não é a primeira vez que "Meu Pedacinho de Chão" vai ao ar. Em 1971, Globo e TV Cultura exibiram a versão original, também escrita por Benedito Ruy Barbosa, simultaneamente. Mas o autor defende que a trama atual não é um "remake", mas uma nova obra. Isso porque, há 43 anos, ele não pôde abordar diversos temas por conta da ditadura, como greve de médicos e professores, algo que será retratado desta vez. "Mantive o título e o nome de alguns personagens, mas a história, as questões tratadas e, especialmente, a forma de contá-la são diferentes", reforça Benedito. O enredo, que se passa na fictícia Vila Santa Fé, se desenrola através do olhar de duas crianças, Serelepe e Pituca, interpretados por Tomás Sampaio e Geytsa Garcia. Por isso, a novela carrega uma atmosfera lúdica e infantil. Mas traz questões do universo adulto. O principal conflito gira em torno do coronel Epaminondas, vivido por Osmar Prado, e de Pedro Falcão, de Rodrigo Lombardi. Enquanto o primeiro é contra o progresso por receio de perder poder, o segundo contribui para a instalação da primeira escola da região. "Na nossa vida, também lidamos com questões latifundiárias, de saúde, educação, ascensão social... Podemos traçar um paralelo entre tudo o que não tinha naquela época e o nosso tempo", acredita Rodrigo Lombardi.
Com a escola, chega ao vilarejo a professora Juliana, de Bruna Linzmeyer, o que aumenta ainda mais o ódio do coronel. No mesmo dia, Ferdinando, de Johnny Massaro, filho de Epaminondas, retorna à Vila Santa Fé depois de um período estudando fora. E se encanta justamente por Juliana. Além dele, o capanga do coronel, Zelão, de Irandhir Santos, também se apaixona pela moça depois de não conseguir cumprir a missão que recebeu de botar fogo na escola. O médico Renato, de Bruno Fagundes filho de Antonio Fagundes e que faz sua estreia na tevê , amigo de Ferdinando, é outro que se rende aos encantos da professora. "A personagem da Bruna centraliza as atenções desses três rapazes. É claro que essa disputa gera uma forte tensão entre eles. Nossa preparação foi bem voltada para essa disputa. Passamos muitas horas ensaiando, construindo nossos personagens e criando a afinidade certa para as cenas", revela Irandhir.
"Meu Pedacinho de Chão" De segunda a sábado, às 18h15, na Globo.


