MUNDO DA INFORMAÇÃO Aprendendo a lidar com a comunicação
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Ana Paula Nascimento
Reportagem Local
Muitas das nossas crianças talvez não tenham ouvido falar de Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha, mas ele foi um dos maiores e mais irreverentes comunicadores que esse País já teve. Líder na TV do final dos anos 50 aos 80, foi de sua autoria a célebre frase: Quem não se comunica, se trumbica. E voltados à idéia da importância da comunicação para as nossas vidas, alunos da sexta série do ensino fundamental do Colégio PGD realizaram na última sexta-feira uma exposição sobre o tema.
Trabalhada de forma interdisciplinar, a temática resultou em um mês de pesquisa intensa sobre o assunto. Visitas a veículos de comunicação, elaboração de textos e muito debate em sala de aula sobre o tema. Hoje, desde a infância a criança vivencia um bombardeamento de informações e é importante que ela saiba filtrar o que recebe. O nosso trabalhou visou promover essa reflexão, comentou Márcia Rosa Souza Caslavski, professora de Língua Portuguesa e coordenadora do projeto.
Montada no auditório da instituição, a mostra foi bastante diversificada. Logo na entrada, podia se observar a releitura que alguns alunos fizeram do livro A Árvore que Dava Dinheiro, de Domingos Pellegrini. Confeccionados com capricho em tecido e outros materiais, os livros são exemplos de uma das formas mais fortes e populares do encantamento que as palavras provocam.
Mais à frente, a Casa de Palavras feita com 900 caixas de leite longa vida foi a forma original que eles encontraram de representar concretamente as palavras. Cada caixinha trazia impressa uma classe gramatical, incluindo artigos, adjetivos, substantivos, preposições, entre outras estruturas da nossa gramática. Ao redor da casa, de 1.80m por 2m, um jardim com árvores que representavam valores simbolizados em palavras como felicidade, respeito e cidadania. Havia também animais de verdade, como a cachorrinha yorkshire Belinha e uma calopsita.
A casa foi uma forma lúdica deles visualizarem a representação das palavras e que elas têm sentido quando formam uma junção harmoniosa. O jardim dá a idéia do cuidado que precisam ter com a comunicação, que deve respeitar as características individuais, e isso inclui até a que é feita com os animais, complementou a professora Márcia.
A expressão corporal também integrou a exposição e o quanto o corpo fala pôde ser observado numa espécie de teatro de sombras representado pelos alunos. Os estilos de roupa, que acabam sendo signos que comunicam a identificação de cada grupo, foram abordados por alunos que se caracterizaram. Tinha a menina com vestido de bolinhas dos anos 60, a hippie moderninha e o pessoal mais roqueiro.
No quesito tecnologia, foi criada uma linha do tempo sobre o desenvolvimento tecnológico. Desde a história de um dos primeiros telefones que chegavam a pesar quase um quilo até o i-phone. Televisão, rádio, comunicação alternativa e internet fizeram parte do estudo. E até uma animação visual em stop motion feita pelos alunos foi exibida em telão. A exposição de robôs também chamou a atenção dos visitantes.
O estande Cem Palavras trazia várias imagens que falam por si, sem a necessidade do texto escrito. Aliás, a reflexão sobre a comunicação em silêncio também teve destaque no espaço reservado para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Com a colaboração da intérprete oficial do Paraná de Libras, Nara Regina Pasqualino Costa, a aluna Susanah Watanabe, 12 anos, aprendeu o alfabeto utilizado pelos surdos. No começo achei difícil, mas foi interessante, pontuou. Um detalhe curioso é que apesar de haver uma certa padronização na Libras, há algumas diferenças nos gestos simbólicos utilizados por surdos que moram em cidades diferentes.
A comunicação voltada à infância também teve o seu espaço e até o personagem infantil Barney foi contemplado na mostra uma demonstração do papel didático que muitas vezes a mídia assume ao elaborar personagens que enfocam, por exemplo, o ensino das cores e alfabeto às crianças.


