Mundo à parte
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de novembro de 2013
Luana Borges<br> TV Press 
Universos paralelos e comunidades isoladas estão presentes em obras literárias e cinematográficas há tempos. Desde o romance "Robinson Crusoe", escrito por Daniel Defoe e publicado, pela primeira vez, em 1719, a ideia de viver isoladamente vem rendendo histórias. Como, por exemplo, mais atualmente, "Lost" com sua misteriosa ilha.
Na teledramaturgia brasileira, "A Gata Comeu", de 1985, retratou situação semelhante. Na trama, um grupo de uma excursão ficava preso em uma ilha depois de uma pane na lancha que o levava. "Além do Horizonte", próxima novela das sete, revisita a temática. Mas, para isso, os autores estreantes Marcos Bernstein e Carlos Gregório exploram um gênero que não tem muito espaço nas novelas: o de aventura. Menos ainda, em uma faixa horária em que o público se acostumou a assistir o humor escrachado.
"Nossa proposta é inventar o nosso próprio universo isolado, que a gente chama de Comunidade e, a partir dessa ideia, criamos nossas regras e conceitos", explica Bernstein. "E isso vem do próprio gênero que a gente escolheu. Por isso, essas regras e conceitos geram histórias que, mesmo nos momentos mais pesados, têm humor. O humor, inclusive, estará no tom geral da novela e não necessariamente em personagens específicos", completa Gregório.
Na história, os três protagonistas, Lili, William e Rafa interpretados, respectivamente, por Juliana Paiva, Thiago Rodrigues e Vinicius Tardio , partem em uma jornada atrás de pessoas importantes que desapareceram. Lili vai procurar seu pai, LC, de Antonio Calloni, a quem dava como morto até então. William busca por seu irmão, Marlon, de Rodrigo Simas, enquanto Rafa quer reencontrar a namorada, Paulinha, de Christiana Ubach.
Como em um jogo, eles descobrem pistas que os fazem se conhecer e acreditar que as pessoas que procuram foram para um mesmo lugar, a chamada Comunidade, onde, supostamente, está a felicidade plena. "A minha personagem foi criada dentro de uma bolha. Ela recebe uma carta do pai na leitura do testamento dele e descobre ele pode estar vivo. Então, se abre uma janela e um convite para ela ir em busca do pai e sair desse universo", conta Juliana, que encarna a primeira protagonista da carreira depois da boa repercussão de sua última personagem, a Fatinha da temporada 2012 de "Malhação".
Do primeiro capítulo até o último, a trama se passa em três ambientes que se alternam: no Rio de Janeiro, em uma floresta tropical onde fica a Comunidade e na fictícia Tapiré. Para retratar a cidadezinha, o projeto do cenógrafo Alexandre Gomes buscou referências em moradias da região amazônica e ocupa uma área de 5.700 m² no Projac complexo de estúdios da Globo na Zona Oeste carioca.
São 22 construções suspensas sobre um lago artificial com profundidade suficiente para a navegação de canoas e barcos. Para compor o cenário, a produção de arte abusou de vegetação natural e objetos artesanais confeccionados especialmente para o folhetim.
Nas casas ribeirinhas, a simplicidade prevalece na decoração. "A região não tem muita variedade de flores, então os moradores enfeitam suas casas com flores de plástico. É tudo muito colorido e criativo", diz Marcus Figueiroa, que assina a produção de arte.
"Além do Horizonte" marca também a estreia de Gustavo Fernandez na direção-geral de uma novela. Da equipe de Ricardo Waddington, diretor de núcleo, sua primeira experiência no posto foi na minissérie "O Brado Retumbante". "Uma novela é mais trabalhosa. Agora, exercito também o papel de gestor de uma grande equipe", compara.
Como já é de praxe em sua trajetória, Waddington também aposta em atores novos no folhetim. Como, por exemplo, Vinicius Tardio, que angariou o posto de protagonista logo em sua primeira novela. "Sempre que posso, que é possível, lanço jovens atores que possam defender papéis importantes ou que saiam de sua zona de conforto", salienta o diretor de núcleo.


