Mundin Tiatre contou com três pessoas na estréia
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quarta-feira, 28 de março de 2001
De Curitiba 
Foram 26 horas de ônibus com todo o cenário e figurinos na bagagem para chegar de Brasília ao 10º Festival de Teatro de Curitiba. Este foi apenas o começo da maratona de sacrifícios que a companhia Mundin Tiatre tem atravessado nos últimos dias. Disputando público com outros 109 espetáculos que integram a Mostra Paralela, Aqui Ninguém Paga Meia contou com apenas três pessoas na noite de estréia e já contabiliza um prejuízo financeiro que ultrapassa os R$ 3 mil.
Como a nossa companhia é recente, formada há apenas dois anos, achamos interessante participar do festival para reforçar nosso currículo e também para ganhar experiência, justifica o diretor e ator do espetáculo, Dênis Camargo. Mas ainda não consigo avaliar se está valendo à pena, comenta.
A montagem estreou em Brasília há quatro meses, onde utilizou como palco a própria residência do diretor. Aproveitando a mesma concepção, a trupe procurou um espaço não convencional em Curitiba para realizar o espetáculo. O local escolhido foi uma grande casa com quatro quartos no bairro Centro Cívico, pela qual a trupe paga R$ 450 de aluguel por 15 dias. Para economizar ao máximo, a companhia está hospedada nessa mesma casa.
O racionamento de despesas, aliás, começou bem antes da partida de Brasília. Sem dinheiro para passagens aéreas e para o transporte de cenário, os nove integrantes da companhia se sujeitaram a muitas horas de ônibus, com material elétrico, som, banheira, box, cortinas e brinquedos na bagagem. A viagem deveria durar 24 horas, mas o ônibus quebrou no meio do caminho e tivemos que aguardar quase três horas na estrada, conta ele.
Depois da exaustiva viagem, a principal expectativa da companhia era apresentar-se no festival e assistir às outras apresentações. Nem isso estamos conseguindo, pois estamos totalmente sem dinheiro para comprar ingressos de espetáculos da mostra oficial, lamenta.


