Estelio Feldman
Na era em que vivemos, a impressão é a de que não há mais limites, notadamente no que diz respeito ao entretenimento. Você pode acompanhar tudo o que ocorre pelo mundo, sem sair de casa, ver concertos fantásticos, assistir a festas que no passado eram quase que um mistério, como o Oscar, e, no esporte, tem tudo ao alcance das mãos. O mundo é uma imensa janela que se abre ao apertar de um controle remoto. Estão aí as redes de TV a cabo, completando as redes comerciais e oferecendo tudo. Ou quase...
A seleção feminina de futebol do Brasil esteve nos Estados Unidos disputando o mundial. Fez uma excelente campanha, enfrentou a equipe da casa para disputar uma vaga na final, perdeu, jogou pelo terceiro lugar, no sábado, ganhou. Mas os jogos da seleção brasileira feminina não estavam disponíveis para o público brasileiro.
Sim, a rede de TV a cabo mostrou as partidas, até porque o futebol feminino tem, nos Estados Unidos, mais público que o masculino. Quem tem ESPN internacional em qualquer parte do mundo acompanhou aquele campeoanto. Menos nós, brasileiros!
O motivo não é difícil de se descobrir: a rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do Mundial Feminino de Futebol para o Brasil. E resolveu não mostrá-lo. Com o contrato, veio a exclusividade o que significa que a ESPN não pode transmitir as partidas para o Brasil.
Não é a primeira vez que a Globo faz isto com a gente. Está bom, a luta pela exclusividade a gente entende. É uma competição entre as redes e se existe uma transmissão que interessa e que pode ser exclusiva, melhor para quem a adquire. Garante audiência.
Mas comprar para evitar que outros exibam e pôr ‘na gaveta’ (figurativamente, claro), isto é mais que um abuso, é falta de respeito ao público, é um modo brutal de tirar ao espectador a possibilidade de escolha. Como nada vai mudar a situação, pelo menos a gente exerce o sagrado direito de reclamar, o que os bacharéis chamam de jus esperneandi. Quem sabe um dia a Globo deixa a empáfia e libera o público para ver o que queira, lá ou em outro canal.

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