Encerra-se no próximo dia 30 o prazo para votar nos indicados ao Prêmio Multishow de Música Brasileira, promovido pelo canal pago Multishow, da Globosat, com o apoio da NET Brasil. A votação poderá ser feita através da Internet (o endereço do site é www.multishow.com.br) ou pelo correio (enviando o cupom publicado no guia de programação da NET deste mês), e é aberta tanto aos assinantes do canal quanto aos não-assinantes. Antes de considerar os méritos (ou a falta de) dos indicados para as nove categorias do Prêmio, vale uma espiada na relação desses indicados.
Melhor cantor - Caetano Veloso, Djavan, Ed Motta, Milton Nascimento, Samuel Rosa.
ReproduçãoDaniela Mercury: cotada para o prêmio de melhor cantora num tempo em que a MPB é tratada como fast foodMelhor cantora - Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Marisa Monte, Rita Lee, Zélia Duncan.
Melhor grupo - Jota Quest, Paralamas do Sucesso, Patu Fu, Skank, Titãs.
Melhor clipe - ‘‘É Preciso Saber Viver’’ (Titãs), ‘‘Eu Sei’’ (Pato Fu), ‘‘Por Voc꒒ (Barão Vermelho), ‘‘Saidera’’ (Skank), ‘‘Verbos Sujeitos’’ (Zélia Duncan).
Revelação - Farofa Carioca, Fat Family, Nativus, Terra Samba, Vinny.
Melhor CD - ‘‘As Cidades’’ (Chico Buarque), ‘‘De Volta ao Planeta dos Macacos’’ (Jota Quest), ‘‘Hey Na Na’’ (Paralamas do Sucesso), ‘‘Siderado’’ (Skank), ‘‘Volume 2’’ (Titãs).
Melhor show - ‘‘De Volta ao Planeta dos Macacos’’ (Jota Quest), ‘‘Hey Na Na’’ (Paralamas do Sucesso), ‘‘Siderado’’ (Skank), ‘‘Terra Samba ao Vivo e a Cores’’ (Terra Samba), ‘‘Volume 2’’ (Titãs).
Melhor música - ‘‘Carro Velho’’ (Banda Eva), ‘‘É Preciso Saber Viver’’ (Titãs), ‘‘Fácil’’ (Jota Quest), ‘‘Resposta’’ (Skank), ‘‘Sozinho’’ (Caetano Veloso).
Melhor instrumentista - Carlinhos Brown, João Barone, Marcos Suzano, Roberto de Carvalho, Tony Belloto.
Democrático na aparência, o Prêmio Multishow, quaisquer que sejam os vencedores, equivale a um jogo com cartas marcadas - não porque sobre ele paire suspeita de que os votos serão manipulados, mas porque reflete uma prévia e a mais ampla manipulação empreendida pela indústria fonográfica e pelos meios de comunicação com vistas ao incremento dos lucros e a homogeneização do gosto do consumidor de música popular, de modo a direcioná-lo aos produtos que são objeto de investimentos maciços. É um empreendimento essencialmente comercial, destituído de qualquer preocupação com o valor artístico-cultural desses produtos e que trata a música popular como fast food, sabão em pó, coca-cola. É uma máquina gigantesca, com incontáveis peças e acessórios (boa parte, de procedência multinacional), cujo funcionamento é assegurado por algumas das grandes carências do nosso País - carência de Educação e carência de Cultura que mereçam grafia com maiúsculas. Tal máquina é tão eficiente que promove a distorção de valores e, com igual facilidade, impõe os parâmetros ‘‘artísticos’’ que lhe convém. De que outro modo explicar absurdos como a inclusão de um vocalista medíocre como Samuel Rosa (do Skank) entre os finalistas do Prêmio Multishow, na categoria melhor cantor, e a do insosso Jota Quest nas categorias melhor grupo, melhor CD, melhor música e melhor show? Por sua vez, Patu Fu, Ivete Sangalo, Banda Eva, Carlinhos Brown e quetais não são melhores em nada, e nem Fat Family, Nativus, Terra Samba e Vinny são revelações. São - isto, sim - provas cabais do grau de indigência artística que a música popular brasileira atingiu nas esferas da mídia e do mercado.
Já a escolha de ‘‘artistas de prestígio’’, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Marisa Monte, Djavan e Milton Nascimento, não deve iludir ninguém. Também eles não escapam ao processo de mediocrização da MPB: a proposta da indústria fonográfica é torná-los cada mais acessíveis, mais palatáveis e medianos. Cada um deles, à sua maneira, tem correspondido a esta proposta, seja através de um decréscimo de criatividade (tome-se como exemplo o Chico Buarque de ‘‘As Cidades’’, um disco anódino e crepuscular que em nada faz lembrar o compositor inventivo de ‘‘Construção’’/‘‘Deus lhe Pague’’), seja por meio da opção pop (Marisa Monte) ou de um estilo, que não evoluindo, consagra-se pela força da repetição (Djavan, Milton Nascimento). E, se o Multishow resolvesse instituir um prêmio para melhor trabalho de vulgarização, o prêmio iria para Caetano Veloso, que hoje em dia até a platéia do Gugu Liberato digere com a maior facilidade. Por certo não foi o gosto desta platéia que ficou mais apurado.ReproduçãoJota Quest: música ‘‘fácil, extremamente fácil’’, na qual a indústria fonográfica aposta muitas fichasWilmar Klein

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